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Resumo

O presente estudo é uma pesquisa bibliográfica com matriz epistemológica pós-moderna. O objeto desta pesquisa é o conceito de "corpo", aqui contemplado pela História do Desenvolvimento do Pensamento Anatômico através das Artes e das Ciências da Vida. Foi selecionado um recorte temporal compreendendo do Renascimento à Contemporaneidade para elucidação do conceito "arte-anatomia" através da seleção de obras anatômicas, visando compreender as diferenças nelas existentes. À exceção, somente para a contemporaneidade foi escolhido um único anatomista, Gunther von Hagens, devido à sua criação: a "plastinização", um processo ou técnica química (polimérica) recente e refinada, criada para a preservação de material biológico animal, possibilitando preservar tecidos, órgãos e organismos inteiros, inclusive humanos. Além disso, Von Hagens é o grande responsável por reavivar o espírito das descobertas anatômicas através de exposições públicas de seus corpos plastinizados. Diante de suas exposições, é notável certa preocupação estética - seus corpos, chamados de espécimes, outrora foram cadáveres e hoje não possuem odores fétidos, nem qualquer aparência repulsiva; também não podem mais ser considerados seres vivos. Esse impasse também é percebido nas pranchas anatômicas dos trabalhos renascentistas. Assim, como pode uma representação anatômica ser oriunda de algo que nem mais vivo é? Ser oriunda de algo que deixa na duvida até mesmo se ainda tem um "corpo (humano)"? Além disso, o exagero estético com que Von Hagens apresenta suas obras plastinizadas não interfere na real visualização, na profunda compreensão, acerca do real anatômico? As obras/ilustrações anatômicas não estão demasiadamente estetizadas/estilizadas para servirem de modelo científico a uma proposta educacional, pedagógica? Todos esses questionamentos foram atravessados pela presente pesquisa, a partir da qual foi possível concluir que: 1) Von Hagens se baseia em obras renascentistas, predominantemente de estudos anatômicos, para dispor e expor seus espécimes nos museus de ciência; 2) o conceito "corpo" e suas representações são frutos da época e das interpretações socioculturais acerca do o quê é o vivo, o morto; a vida, a morte; 3) seus espécimes não podem ser considerados mortos por não possuírem mais componentes orgânicos em sua composição, tão menos algumas ação/resposta fisiológica/ metabólica; 4) também não podem mais ser considerados vivos pelo mesmo motivo e por não mais poderem morrer; 5) seus espécimes possuem por definição um "corpo-outro", nãobiológico, sintético; 6) o mesmo vale para a sua anatomia: uma "anatomia-outra", com vasos sanguíneos preenchidos por resina; 7) a obra de Von Hagens é fronteiriça a novas avanços científicos, sendo promissora ao campo da motricidade. Apoio: CAPES.

Endereço: http://www.periodicos.rc.biblioteca.unesp.br/index.php/motriz/article/view/10060/10060

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