Manuais de Ginástica Publicados na Segunda Metade do Século XIX e Início do Século XX: Uma Análise de Seus Conteúdos

Por: Diogo Rodrigues Puchta.

XV Congresso de História do Esporte, Lazer e Educação Física - CHELEF

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Resumo

O presente trabalho visa analisar o conteúdo presente em manuais de ginástica publicados na segunda metade do século XIX e início do século XX. A crescente preocupação com a educação física, assim como o crescente interesse pela prática da ginástica refletiu na elaboração e publicação de livros assinados por autores diversos, tanto brasileiros como estrangeiros como, por exemplo: Antonio M. Ferreira, Arthur Higgins, Caldas e Carvalho, Daniel M. Schreber, Domingos Nascimento, Ludwig Kumlien, Manoel Baragiola e Pedro Manoel Borges. A realização da pesquisa decorre do interesse em compreender, em que consistia a ginástica presente nesses manuais? Que conhecimentos foram selecionados e mobilizados para o ensino e a prática da ginástica? Para a realização da análise optamos pela construção de uma tabela, assim como a elaboração de um protocolo considerando as observações feitas por Alain Choppin (2000 e 2004). O trabalho também dialoga com autores da história do livro e do livro didático, tais como: Bittencourt (2008); Hallewell (2005); Munakata (2012), entre outros. Devido à quantidade e diversidade de conteúdos presentes nos manuais, resolvemos organizá-los em quatro eixos de análise, a saber: uma parte teórica; outra prática; outra metodológica; e uma última, prescritiva. A tabulação dos exercícios e demais conteúdos faz parte do esforço de tentar mapear os conhecimentos mobilizados na época, as diferenças e possíveis mudanças de abordagens, possibilitando inclusive perceber as singularidades das obras ou a presença de umas nas outras, assim como reconhecer quais exercícios aparecem em cada uma delas. Na impossibilidade de tratar todas as questões presentes nas obras, selecionamos em cada um dos eixos, algumas questões, presentes em algumas obras, não necessariamente em todas elas. Na parte prática, por exemplo, chamamos a atenção do leitor para os exercícios de corpo livre e para os jogos. A partir da proposta de cada um dos autores – por meio da análise do conteúdo dos livros e dos métodos neles empregados – nota-se a contribuição dos manuais na construção de um saber específico dos exercícios físicos e da ginástica. A chegada dos manuais registra processos de sistematização, metodização e racionalização dos exercícios ginásticos. Não era qualquer exercício que deveria ser realizado e os livros cumpriam o papel de mostrar isso.

Referências

BITTENCOURT, C. Livro didático e saber escolar (1810-1910). Belo Horizonte: Autêntica, 2008.

CHOPPIN, A. Pasado y presente de los manuales escolares. In: BERRIO, J R. (Org.). La cultura escolar de Europa: tendencias históricas emergentes. Madrid: Editorial Biblioteca Nueva, 2000.

CHOPPIN, A. História dos livros e das edições didáticas: sobre o estado da arte. Educação e pesquisa, São Paulo, v. 30, n. 3, p. 549-566, set./dez. 2004.

HALLEWELL, L. O livro no Brasil: sua história. São Paulo: Edusp, 2005.

MUNAKATA, K. O Livro didático: alguns temas de pesquisa. Revista Brasileira de História da Educação, Campinas-SP, v. 12, n. 3 (30), p. 179-197, set./dez. 2012.

Fonte de financiamento: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – CAPES.

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