Memória do Primeiro Encontro

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Blog do CEV - 2018

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Não recordo mais o dia, tamanha foi a intensidade do abalo sísmico ocorrido no território da minha afeição. Mas foi no mês de Setembro de 1986, na tarde de um radioso Domingo. A curiosidade, que era imensa, aumentou quando, devido a informação do comandante, olhei para baixo e lobriguei a ilha de Fernando Noronha. Pareceu-me bela, vista lá de cima, e senti falar dentro de mim o apelo de um afeto e atração que me convidava para os braços da terra de Santa Cruz. A voz tornou-se mais audível e impulsiva, como se fosse o tropel de uma épica e amorosa cavalgada, após o avião da TAP ter poisado suavemente no aeroporto dos Guararapes. Muitos passageiros saíram e eu, que seguia para o Rio de Janeiro, fiquei no cimo da escada a absorver o ar quente, de encanto e fascínio, que me adentrou o peito e arrebatou a alma.

A emoção continua hoje perfeitamente viva em mim. Lembro-me muito bem e sinto sempre renovadas a força e a magia inebriantes do primeiro contacto. Aquela atmosfera, não obstante a percepção nítida das diferenças nos tons, cheiros e contornos, era-me próxima e familiar. Eu já sabia sem saber, já ali tinha estado sem estar, já conhecia sem conhecer. Nada me era ausente ou estranho, embora os meus olhos se esbugalhassem extasiados pela antevisão do que havia e eu não via, porém adivinhava e aspirava tão ardentemente ver e vivenciar.

Aquela primeira vez persiste imorredoira como uma marca indelével do magma telúrico que me alimenta o coração e o ânimo. Quando o avião retomou a viagem e sobrevoou a Piedade e Jaboatão, o mar era de uma incontida paixão e de uma infinda saudade. Estas nunca mais deixaram de me acompanhar e transformar em alegria e felicidade, em riso e canto, sempre que a dádiva da profissão me proporciona a graça do doce reencontro com as pessoas e os locais que a generosidade da vida, desde aquele inaugural e fulgurante momento, pôs no meu caminho.

Chovia na chegada ao Rio, cumprindo-se assim o preceito para que a boda molhada trouxesse ventura e fortuna abençoada. Afinal o Brasil é uma terra da bem-aventurança, onde ganho asas e consigo voar para além das minhas fragilidades, à procura dos sonhos por realizar, que são os mais bonitos e exaltantes. Terra do meu bem-querer e enlevo, deslumbramento e contentamento, da admiração, exaltação, imaginação e inspiração, da minha multiplicação, superação e realização, és parte inteira da ditosa Pátria amada!

01.02.2018

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