Meninos de Rua ou de Um Beco Sem Saida? Um novo Resgate.

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2003 14/02/2003

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Resumo

Esta pesquisa retoma a discussão sobre o projeto social denominado Centro Ocupacional para Adolescentes em Situação de Proteção Especial (COCASPE), realizado na cidade de Ponta Grossa, Paraná no período entre 1993 a 1996. O objetivo foi verificar sua eficiência educacional em relação aos meninos que participaram deste. O problema que gerou a pesquisa está centrado na preocupação de verificar se as atividades desenvolvidas no COCASPE, bem como as relações produzidas no interior deste projeto, modificaram o comportamento destes meninos na sociedade passados dez anos. Mais: identificar se estas relações produziram uma nova identidade. A hipótese trabalhada seria a de que este projeto propiciaria configurações, as quais só não proporcionaram uma nova identidade a estes meninos por não possibilitar o convívio social com grupos diferentes dos quais estes meninos mantinham contato. Para a execução da pesquisa foram utilizados mecanismos próprios de uma pesquisa exploratória de cunho qualitativo. O estudo de caso foi trabalhado com a construção da problematização com base no relatório de pesquisa da dissertação que tratou do COCASPE num primeiro momento. A partir desta problematização e da formulação da hipótese foram utilizadas fontes de inspiração para mostrar a condição social dos meninos de/na rua, bem como para uma leitura da sociedade contemporânea. Com base nestas fontes de inspiração foi organizada a entrevista, semi-estruturada, para ouvir os antigos participantes do projeto, hoje maiores de idade. As entrevistas tiveram dois momentos: a pré-entrevista com 7 pessoas ouvidas e a entrevista com 5 pessoas. A pré-entrevista serviu para o retorno às fontes, e a entrevista permitiu a visualização de que estes meninos interiorizaram formas de auto-controle, economia psíquica, que permite associá-los a um dos qualitativos do homem proveniente desta economia: o homem equilibrado. Constatou-se que o COCASPE não contribuiu num processo de colocação destas pessoas no mercado formal de trabalho. Mas através de atividades rotineiras (cursos semi-profissionalizantes) e atividades de lazer, teve êxito no processo de interiorização das restrições das pulsões. Conclui-se que esta forma de autocontrole contribuiu para que estes meninos buscassem alternativas no mercado informal de trabalho bem como atividades miméticas como forma compensatória das dificuldades encontradas no cotidiano. Destarte, a hipótese foi confirmada parcialmente. Houve uma evolução no processo de autocontrole, no entanto estas pessoas continuam associadas a grupos considerados outsiders. 

Endereço: http://www.bibliotecadigital.unicamp.br/document/?code=vtls000289846&opt=1

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