Mestre Felipe - Por Ele Mesmo: Quero Vê Tambô Berrá é na Ponta do Dedo

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~~COSTA, Sérgio; HAIKEL, Marco Aurélio. MESTRE FELIPE POR ELE MESMO: 'quero vê tambô berrá é na ponta do dedo'. São Luís: 2013.

Transcrição de várias entrevista com Seo Felipe, Mestre do Tambor de Crioula, uma das referencias dessa manifestação folclórica do/no Maranhão. Trata-se de História de Vida organizada pelos autores, que acompanharam o Mestre por vários anos. Antropologia social, dentro de uma técnica apurada de resgate da memória desse ícone do folclore maranhense.

O interessante, que em suas palavras se percebe o que foi o movimento migratório das populações interioranas para a Capital, São Luís. Processo de expulsão do homem do campo - das Terras de Preto - para a 'urbes'. E com ela a transposição de seu modo de vida e o choque que hoje se apresenta aos 'velhos' com os modos das novas gerações... a começar pela transição dos folguedos, das promessas para o santo, das obrigações, das brincadeiras para uma mercadotização dessas manifestações, tal qual se vê hoje em dia...

A luta desses pioneiros - herdeiros de uma tradição centenária - para manter 'a brincadeira' viva e original!!! O processo de 'introdução' do Tambor, originário da Baixada maranhense, na Ilha. As diferenças entre os 'sotaques' - ritmos - da Baixada e da região do Munin... Um resgate dos principais nomes que conservavam as tradições dos 'pretos'; interessante as referencias que se faz à participação do 'branco' - apenas como espectador; branco não tocava tambor!!! ao contrário do que se vê hoje em dia.

O trabalho que o grupo Laborarte fez, na preservação dessa magia, com as suas oficinas, procurando preservar suas raízes mais remotas; as histórias de Seo Felipe são impagáveis... o carro de boi... os deslocamentos em busca das festas, das promessa, dos homens e mulheres que viviam do suor de seu trabalho naquelas 'terras de preto', hoje oficializadas como 'comunidades quilombolas'.

O orgulho do trabalho, de viver em família, dos agregados, das relações de parentela, dos compadrios... hoje, vive-se do Bolsa Família...; se ainda existissem as 'famílias' -  fazer parte de um conjunto, seja do Boi, seja do Tambor, consistia em uma forma de relacionamento familiar e manutenção de tradições, das lembrançass de 'minha avó me ensinou'... 'meu pai fazia assim'... 'via os outros fazerem, observava e aprendi a fazer'... a escola era outra, era a vida seguindo seu fluxo, natural, que a urbanização forçou nas mudanças... as raízes, as raízes, as tradições...

Para entender o Maranhão, necessária a leitura dessa obra, como disse no inicio, agora fundamental para a cultura maranhense; e o linguajar... a forma de falar... magnifica a 'tradução' de Serginho, e Marco, e Aziz Junior... souberam preservar um Maranhão que já não mais existe.

Parabéns, meus Mestres... e obrigado pelas lições aprendidas e apreendidas... que Seo Felipe continue vivo entre nossas lembranças... sigamos com seus ensinamentos.

http://www.blogsoestado.com/leopoldovaz/2014/01/17/mestre-felipe-por-ele-mesmo-quero-ve-tambo-berra-e-na-ponta-do-dedo/

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