Minha Primeira Experiência de Gestão do Lazer

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Blog do Bramante - 2011

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Hoje é o último dia do ano.

Olho para o canto de uma das paredes de meu escritório e lá vejo três diplomas: o de graduação em Educação Física, o de Mestrado em Educação (com ênfase em Ciências do Movimento e Desenvolvimento da Saúde) e o de Doutorado em Filosofia (com ênfase em Estudos do Lazer e Gestão de Parques Públicos).

          Ao olhar mais atentamente o diploma de graduação, observo que há exatamente 40 anos, naquela semana, eu colava grau numa noite quente na cidade de São Carlos/SP. Para tal solenidade, todos os formandos deveriam vestir seu traje de gala, ou seja, calça preta, meias, sapatos e cinto pretos e uma blusa branca, de manga longa, com punho, de algodão mercerizado da marca Ceppo (!), com o emblema bordado da escola (sim, Escola Superior de Educação Física era o nome que se dava na ocasião…), retratando o famoso discóbolo de Mirón de Eleuteras. Entre os formandos da manhã e da tarde, éramos por volta de 200 pessoas!

          De lá para cá, muitas coisas aconteceram na minha vida profissional; maioria delas, muito boas e inesquecíveis! Certamente existe uma história anterior até chegar à colação de grau na graduação, pelo menos para mim, igualmente emocionante e única, iniciando com a minha relação com o campo dos esportes desde os 12 anos de idade na Associação Cristã de Moços (ACM). Foi lá a minha primeira experiência de “gestão do lazer”…

          Junto com um grupo de amigos daquela mesma faixa etária, decidi liderar (“liderança e tomada de decisão”) a formação de um time de futebol de salão para jogar naquela quadra “ralenta” de concreto, sob inúmeras mangueiras (o intervalo era ditado pelos ventos que derrubavam as mangas na quadra e não o tempo regulamentar…), com a orientação dedicada do Sr. Romeu Pires Osório, então Secretário Geral da ACM. Hoje com 86 anos e gozando de boa saúde e enorme lucidez, ainda mantemos uma relação muito próxima, que junto com sua esposa, Dona Ruth, vieram a ser um dos nossos padrinhos de casamento (portanto, tenha sempre um mentor em quem se espelhar…).

Mas voltemos à essa experiência de gestão.

Empiricamente, quando ainda vejo as fichas 7”x5” com o detalhamento dos treinamentos que fazíamos, com aquecimento, desenvolvimento de habilidades e treino coletivo, consigo perceber como, intuitivamente, era necessário escrever antes de colocar em prática qualquer ação (isso que eu chamo de “planejamento”). Da mesma forma, foi necessário criar um nome do time e uma “marca” (distintivo), elegendo as cores do uniforme (conjunto que eu chamaria de “estratégicas de branding”…). O time se chamava Estrela F.S. (Futebol de Salão), cujo emblema era uma estrela vermelha, bordada no lado esquerdo, perto do peito, numa camisa de cor preta, de gola careca. Do lado direito, além do número bordado em tamanho pequeno, verticalmente, estavam duas listas de três centímetros de largura, uma vermelha e outra branca. Um detalhe no calção branco: na coxa direita, o número em preto bordado dentro da estrela vermelha estava aplicado no mesmo (provavelmente, sem saber, já  estava descobrindo que a qualidade está no detalhe daquilo que fazemos…). Chama também minha atenção como esse clube de adolescentes de 12-14 anos gerenciava os recursos financeiros. Através de um “livro de ouro” levantamos o “capital inicial”, enquanto que a mensalidade que cada jogador pagava, representava o nosso “capital de giro”… Com certa “preocupação ética”, lembro-me de um episódio marcante. Estávamos numa situação financeira delicada quando um jogador de qualidade mediana se ofereceu para jogar no Estrela F. S. (o time gozava de certo prestígio na ACM…). Decidimos solicitar um “aporte financeiro” para que isso ocorresse, provavelmente buscando unir o “útil ao agradável”… Felizmente “apostamos no talento” e esse menino se tornou um grande zagueiro (diria que pensar divergentemente e arriscar soluções inovadoras fazem parte de todo gestor que se preze…).

Como dito anteriormente, mesmo que empiricamente, hoje percebo que (a) planejar, (b) cuidar da marca, (c) manter a atenção nos detalhes, (d) realizar previsão orçamentária, (e) pensar divergentemente, (f) propor e executar soluções criativas e (g) manter patamares éticos, fazem parte do rol dos conhecimentos e habilidades de um gestor de lazer.

Com certeza eu poderia avançar e muito nessa primeira experiência de gestão do lazer vivida, mas prefiro desejar a cada uma das pessoas que me lê neste momento um ano novo extra-ordinário, com muitas celebrações por vir!

Forte abraço.

Bramante

Por Bramante
em 31-12-2011, às 12:41

3 comentários. Deixe o seu.

Comentários

Belo comentário, prof. Bramante. Daqueles meninos todos – incrível e que será que explica? – toda uma safra de gente boa e bem sucedidas pessoas de bem. Quem quiser ver o uniforme do Estrela é só clicar aqui: http://milansorocaba.blogspot.com/2010/02/goleiro-acucareiro.html . Numa brincadeira somente possível entre bons amigos, o título que descreve o legítimo orgulho do goleiro – grande goleiro também no Milan de Sorocaba, time que fez história na região de Sorocaba – e retrata uma época de pureza onde tudo era bom e possível. Sim, e o “seu” Romeu – o pai – tinha alguma coisa a ver com tudo aquilo, admito. abr.

Por RSérgio
em 31-12-2011, às 18:16.

Romeu Sérgio, grato pelos seus comentários e adição da foto que só valorizaram a retrospectiva de uma fase da vida que eu chamaria de “gratuita”. Fiquei impressionado ao rever os detalhes da indumentária! Do cadarço do tênis “Rainha” dando voltas na canela ao “suporte” por baixo do calção, com a dobra prá fora, sem falar das joelheiras com a proteção de feltro!!!

Por Antonio Carlos Bramante
em 2-01-2012, às 9:55.

que tal a monalisa de medicina sei que esse quadro se for verdadei custa muito carro tenho 10.000 posso padar o restante parcelado

Por oseias
em 5-01-2012, às 13:21. 

Endereço: https://web.archive.org/web/20150425115740/http://blog.cev.org.br/bramante/2011/minha-primeira-experiencia-de-gestao-do-lazer/

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