Modulação Autonômica Cardíaca em Hipertensos Resistentes a Hipotensão Pós-exercício Aeróbio

Por: Suênia Karla Pacheco Porpino.

71 páginas. 2010 19/03/2010

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Resumo

O exercício é uma das ferramentas mais efetivas no tratamento da hipertensão, sendo a hipotensão pós-exercício um dos benefícios resultante dessa prática. Existem evidências quanto à participação do sistema nervoso autonômico cardíaco nesta resposta pressórica ao exercício. No entanto, tem sido observado na literatura que até 25% dos hipertensos não se beneficiam da hipotensão pós-exercício. Portanto, este estudo objetivou avaliar o controle autonômico da freqüência cardíaca (FC) em hipertensos resistentes a hipotensão pós-exercício. Foram avaliados 20 indivíduos hipertensos e 10 indivíduos normotensos pareados por idade e índice de massa corpórea, enquanto que, os hipertensos também foram pareados por medicação. Foram subdivididos em três grupos: normotenso (GN;n=10), hipertenso com hipotensão pós-exercício (GCH;n=10) e hipertenso sem hipotensão pósexercício (GSH;n=10). Antes e após a realização do exercício aeróbio, foram coletados os sinais do eletrocardiograma, da freqüência respiratória e da pressão arterial durante 10 minutos com respiração espontânea. O exercício teve duração de 40 minutos, com intensidade entre 60 e 80% da FC de reserva. Os valores do intervalo cardíaco, adquiridos pelo eletrocardiograma foram utilizados para análise espectral da variabilidade da FC. Os resultados mostraram que a pressão arterial média (PAM) diminuiu significativamente na condição pós-intervenção em relação a condição pré-intervenção no GCH (96 ± 2 vs 89 ± 2 mmHg, p = 0,01) mas não no GN (93 ± 2,7 vs 89 ± 3,3 mmHg, p = NS) e no GSH (95 ± 1 vs 96 ± 3 mmHg, p = NS). Quando se comparou os grupos estudados observamos que a resposta da PAM ao exercício aeróbio no GN (-4 mmHg) e GCH (-7mmHg) foi significativamente menor daquela observada nos GSH (+1mmHg), p= 0,001. O componente de BF foi significativamente menor após intervenção no GN (37 ±1 vs 30 ±1 un, p=0,01) e GCH (43 ±1 vs 31 ±2 un, p=0,01); e no GSH houve um aumento significativo (65 ±1 vs 76 ±4 un, p=0,01). O componente de AF aumentou significativamente no GN (63 ±1 vs 70 ±1 un, p=0,01) e no GCH (57 ±1 vs 69 ±1 un, p=0,01), enquanto que o GSH (35 ±4 vs 24 ±4 un, p=0,01) alterou com uma redução significativa. Entretanto, quando realizamos a comparação entre os grupos, observamos que a resposta ao exercício nas BF no GN (-7 un) e GCH (-12 un) foi estatisticamente menor daquela observada no GSH (+11 un), p=0,01. De forma similar, a resposta ao exercício das unidades normalizadas de AF no GN (+7 un) e no GCH (+12 un) foi estatisticamente maior daquela observada no GSH (-11 un), p=0,01. Concluímos que a elevada modulação simpática e reduzida modulação parassimpática cardíaca pós-exercício aeróbio, parece ser um dos prováveis mecanismos responsáveis pela resistência à hipotensão pós-exercício no grupo que não apresenta resposta hipotensora pósexercício.

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