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Resumo

Introdução e objectivos: As convicções e as crenças sobre a prática desportiva de crianças enfatizam, muitas vezes, o potencial gerador de stressdo desporto competitivo, questionando-se a sua adequação às necessidades e potencialidades dos jovens praticantes e os seus benefícios para o desenvolvimento saudá-vel das crianças que a ele aderem. Contudo, a participação desportiva da criança pode ser um meio dentro de um processo progressivo de desenvolvimento do ser humano, desde que o nível de expectativa depositado no desempenho da criança não se contraponha às suas reais condições para a realização da tarefa e especialmente não negligencie as razões pelas quais elas se envolvem em programas de desporto organizado. Nesse sentido, a presente investigação teve por objetivo analisar a forma de inserção e os motivos pelos quais crianças entre 9 e 12 anos participam de programas de desporto competitivo, considerando a opinião dos pais e dos jovens atletas. Material e métodos:Para tal, selecionou-se duas modalidades desportivas federadas da região norte de Portugal, uma indivi-dual (ginástica artística) e outra coletiva (mini-voleibol). Na ginástica artística optou-se por uma equipe feminina com resultados expressivos em competições nacionais e regionais, composta por 4 atletas. No mini-voleibol foi selecionada a equipe masculina na categoria mini-B, com 9 atletas, por ter conseguido o bicampeonato ao participar do Encontro Nacional de Mini-Voleibol. A coleta de dados foi realizada através de uma entrevista aberta dirigida às crianças e aos pais dos atletas que se dispuseram a participar da investigação e buscou infor-mações acerca da forma de inserção da criança no desporto e das razões que os diferentes entrevistados atribuem para a prá-tica desportiva da criança. Principais resultados e conclusões:Quanto ao modo de inserção da criança, as respostas dos dois grupos de entrevistados na modalidade de ginástica artística apontaram a influência dos pais como a principal responsável (com 50% das respostas em ambos os grupos). No mini-voleibol, ambos os entrevistados atribuíram à influência da família e/ou amigos a responsabili-dade pelo ingresso da criança no desporto organizado (91,6% na opinião das crianças e 81,9% conforme seus pais). Quanto aos motivos para a prática desportiva, as atletas de ginástica artística atribuíram à competitividade (25%), à condição física (25%) e ao prazer na atividade (25%) as razões para praticarem a modalidade, enquanto para os seus pais o principal objetivo é o desenvolvimento da criança (com 62,5% das respostas). No mini-voleibol, as principais razões apontadas pelas crianças foram o prazer e divertimento (30% das respostas) e a sociabi-lização e amizade (com 25%). Para os pais, as crianças devem praticar desporto porque favorece o seu desenvolvimento e contribui para a sua formação (54,5% das respostas). Constata-se, assim, que nem sempre a competitividade e o mais alto grau de excelência desportiva são os principais objetivos dos jovens praticantes (e dos responsáveis pelo seu ingresso no desporto), de modo que a prática desportiva pode constituir-se num meio eficaz para a formação de jovens ativos, saudáveis e felizes, desde que sejam considerados os interesses daqueles que dela participam.

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