Mulheres na Dança do Movimento Hip Hop Numa Comunidade de Periferia do Rio de Janeiro

Por: Ana Paula Almeida Alves.

2009 29/06/2009

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Resumo

O objeto de estudo desta dissertação é a presença das mulheres no breakdance, a dança do movimento hip hop, em um grupo de Pedra de Guaratiba, bairro de periferia da zona oeste do Rio de Janeiro. A finalidade da pesquisa foi descrever e interpretar os motivos de entrada e permanência das mulheres no movimento, as dificuldades por elas encontradas para permanecer no break e as relações de gênero estabelecidas no interior do grupo. O estudo também buscou analisar a construção da autoidentidade das jovens e o processo de inclusão social a partir do pertencimento ao grupo. O referencial teórico do estudo se pautou nas teorias de gênero de Badinter (2005), Butler (2008) e Scott (1995 2005); nos conceitos de Giddens (1991, 1993, 1999, 2002) acerca da autoidentidade e na teoria dos lugares da exclusão/inclusão social de Stoer, Magalhães e Rodrigues (2004). Para a coleta dos dados utilizou-se o método de análise do discurso do sujeito coletivo, com rapazes e moças do movimento hip hop de Pedra de Guaratiba, em quatro entrevistas individuais, uma entrevista em grupo focal com seis informantes do grupo e etnografia. Os dados interpretados através análise crítica do conteúdo de Votre (2008) comprovam que as mulheres se inserem pelo prazer da dança, pela possibilidade de valorização feminina e pelo acolhimento do grupo. Elas permanecem pela chance de manter uma simetria de poder e pelo incentivo masculino, porém relatam como dificuldades para a permanência o preconceito da família e das próprias mulheres com relação ao vigor da dança. As relações de gênero apresentam tensões não com relação à participação feminina no break, mas com relação à possibilidade da liderança feminina no grupo. Evidenciam-se alguns aspectos importantes na construção da autoidentidade das dançarinas: a presença de laços de confiança, expressos nas ações de incentivo à participação feminina na dança, o risco da discriminação pelo grupo, ou por outros grupos de hegemonia masculina; à dificuldade na execução dos movimentos vigorosos e acrobáticos aliam-se a coragem e engajamento, promovendo um equilíbrio entre oportunidade e risco. Esses fatores permitem às jovens construir reflexivamente uma forma de estar no mundo e contribuem para a valorização da coletividade, onde o corpo feminino é enaltecido como uma instância em que a inclusão social se estabelece de maneira reflexiva. As jovens agem socialmente a partir da reclamação da diferença e se inserem em uma rede social que lhes permite conhecer outras opções de vida, em que a alteridade é agenciadora de múltiplos espaços. Montam estratégias de reivindicação dos seus direitos às diferenças e promovem a sua inclusão social no cenário do movimento hip hop carioca

Endereço: https://www.dropbox.com/s/zq649lgskmt4pb1/UGF.00379.pdf

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