Nemici In Campo: ?a Família Italiana? e a Rivalidade Entre a Sociedade Operária Beneficente Esportiva Iguaçu e o Trieste Futebol Clube

Por: e Luiz Canedo Junior.

XV Congresso de História do Esporte, Lazer e Educação Física - CHELEF

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Resumo

Fundada no século XIX, a antiga colônia de imigrantes italianos, hoje denominada Santa Felicidade, tornou-se um dos bairros mais tradicionais de Curitiba/PR. “[...] As famílias italianas que tinham algumas economias formaram colônias espontâneas, caso de Santa Felicidade, Campo Magro, Bateias e outras” (MARANHÃO, 2014, p. 35). Muito famosa pelos seus restaurantes de comida típica e vinícolas, Santa Felicidade é a sede de dois clubes tradicionais de futebol, a Sociedade Operária Beneficente Esportiva (SOBE) Iguaçu e o Trieste Futebol Clube (FC). Tais clubes se estruturaram nos primeiros anos do século XX pela intervenção e trabalho das famílias de imigrantes que saíram da região do Vêneto, na Itália, para começar uma nova vida no Brasil. Todavia, o objetivo desse estudo é o de entender como a ‘família italiana’ influenciou na construção da rivalidade entre a SOBE Iguaçu e o Trieste FC. Para tanto, foram adotados os procedimentos teóricos e metodológicos da História Oral (HO) “[...] que privilegia a recuperação do vivido conforme concebido por quem viveu” (ALBERTI, 2005, p. 24), sendo entrevistados para a pesquisa dois agentes importantes na história dos clubes e do próprio bairro. Ao estabelecer os apontamentos com a HO, nota-se que a concepção de memória é fundamental para as análises das fontes, “[...] a memória deve ser entendida como um fenômeno coletivo e social, um fenômeno construído coletivamente e submetido a flutuações, transformações e mudanças constantes” (POLLAK, 1992, p. 2). A conclusão foi de que a rivalidade entre os clubes, desde sua gênese, está diretamente ligada à construção de uma identidade, mesmo que estereotipada, dentro de Santa Felicidade, ao longo dos anos. Mais sólida, possivelmente, do que a própria identidade nacional italiana. Por esse motivo a rivalidade só se sustentou e se sustenta hoje, apoiada nas memórias e significações que os imigrantes mais antigos fazem dela. A medida que o processo de globalização foi afetando a colônia, na transição para bairro, e consequentemente na presença de indivíduos não imigrantes na realidade dos clubes, essa rivalidade passou a perder sua força.

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