Network - Análise da Interacção e Dinâmica do Jogo de Futebol

Por: José Miguel Travassos Ventura Gama.

126 páginas. 2013 27/09/2013

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Resumo

Objectivo: A metodologia que suporta a análise de redes (i.e., network) tem sido usada no desporto para descrever a dinâmica das interacções que emergem do desempenho competitivo. Esta abordagem permite qualificar as relações interpessoais (i.e., intra e inter-individuais) que ocorrem no contexto dos jogos desportivos colectivos (e.g., futebol 11). Neste sentido, o objectivo principal deste estudo é verificar em que medida as interacções que surgem entre jogadores num jogo de futebol são determinantes para o sucesso da equipa. Deste modo, para além da análise notacional, pretende-se aferir se este jogo desportivo colectivo pode ser caracterizado como uma “rede” (network), onde os praticantes interagem de forma estruturada e dinâmica. Para tal, foram analisadas as acções intencionais ofensivas realizadas pelos jogadores e o comportamento intra-equipa, identificando assim os atletas que mais interagiam com os seus pares, bem como a circulação e as principais ligações que emergiam desta estrutura coordenativa.

Metodologia: A amostra consistiu na análise de dois jogos da equipa de futebol profissional do Futebol Clube do Porto, escalão seniores, referentes à Liga Zon Sagres 2010/2011. Neste sentido, foram observados os seguintes jogos: 1) Futebol Clube do Porto versus Sport Lisboa e Benfica, Jornada 10 (07/11/2010); 2) Sport Lisboa e Benfica versus Futebol Clube do Porto, Jornada 25 (03/04/2011).

Procedimentos: A filmagem dos jogos, codificação e consequente análise das acções dos jogadores foi efectuada através da empresa wTVision ®. Posteriormente, usou-se o software de análise de jogo – Amisco ® para realizar uma análise quantitativa das acções ofensivas de jogo (e.g., passes, recepções de bola, remates, cruzamentos, recuperações de bola, faltas e acções colectivas de jogo). Através do mesmo software, e de modo a efectuar a análise qualitativa deste estudo, foram constituídas as matrizes de conectividade intra-equipa (i.e., networks), mensurando-se assim as relações interpessoais estabelecidas pelos jogadores ao longo dos dois jogos.

Resultados: Os dados mostram que os jogadores que ocupavam a posição de defesa esquerdo e médio centro, foram aqueles que efectuaram um maior número de interacções com sucesso. Por seu lado, os jogadores mais influentes da equipa ocupavam a posição de extremo direito e ponta de lança. Neste sentido, o campograma indica que as zonas de interacção preferenciais usadas pelos jogadores durante a fase ofensiva nos dois jogos foram o meio campo defensivo (e.g., 2CE e 2CD) e os corredores laterais do meio campo ofensivo (e.g., 3E, 3D, 4E, 4D, 5E e 5D). Finalmente, o defesa esquerdo e o médio centro emergem como os jogadores-chave que apresentaram maior influência no processo de construção na fase ofensiva de jogo e que mais contribuíram para a circulação da equipa.

Discussão e conclusão: Os dados obtidos permitem concluir que as equipas profissionais de futebol actuam como uma “rede” híbrida e dinâmica que emerge de várias relações interpessoais. As ligações desta network são maioritariamente controladas pela acção e circulação de jogadores-chave que têm grande influência na estrutura coordenativa da equipa. Nesta óptica, constata-se que a performance dos jogadores não deve ser avaliada apenas em função de indicadores prospectivos ou retrospectivos de acções de êxito ou fracasso de uma equipa, sendo necessário também analisar o comportamento colectivo e os atletas que mais influem no desempenho competitivo. 

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