Nível de Estresse de Policiais Militares

Por: Andrey Portela.

58 Reunião Anual da SBPC

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INTRODUÇÃO:

O indivíduo contemporânea ao atender suas necessidades, enfrenta no dia-a-dia situações que produzem momentos de tensão, sofrendo estresse positivo ou negativo.

O estresse, que é um alarme natural do organismo, nos prepara para situações de luta ou fuga. Recebemos esta herança genética dos nossos ancestrais que viviam em constante perigo.

As situações que a atual sociedade nos proporciona fazem com que nosso organismo se coloque em situação de estresse para resolver os problemas cotidianos que enfocam a própria sobrevivência.

Encontramos hoje pesquisas sobre a influência do estresse em várias áreas de atuação humana, principalmente nas profissões.

Encontramos trabalhos sobre o estresse em executivos, atletas, bancários e policiais militares (LIPP e TANGANELLI, 2002; ANDRADE, 2001; MORAES et al., 2001).

O estresse não controlado, segundo Kaplan (1995), pode trazer prejuízo físico e psicológico, reduzindo a qualidade de vida das pessoas, onde Andrade (2001) afirma que nas atividades ocupacionais de bancários, professores, executivos e policiais, predominam as situações mais estressantes.

A partir disto, Moraes et al. (2001), realizou uma pesquisa concluindo que policiais militares do estado de Minas Gerais apresentavam um alto nível de estresse indicando como um dos fatores a pressão com que atuavam.

Frente ao exposto questionou-se: qual o nível de estresse percebido de policiais militares e se há diferença entre policiais sedentários e praticantes de atividades físicas?


 METODOLOGIA:

Trata-se de uma pesquisa de campo de natureza descritiva, de opinião (RUDIO, 1986).

A população investigada foi compreendida por policiais militares do sexo masculino, com graduação de soldados e cabos, efetivos da 2ª Companhia Independente de Polícia Militar do Município de União da Vitória-PR, não levando em conta a idade e o tempo de serviço.

A amostragem probabilística intencional (MARCONI e LAKATOS, 2003), contou com 20 policiais durante o mês de novembro de 2005.

Por se tratar do estudo de um fenômeno que ocorre com policiais de uma companhia militar, a pesquisa pode ser entendida como um estudo de caso.

A intencionalidade na escolha de policiais com graduação de soldados e cabos se deve a proximidade de suas funções e remuneração.

O instrumento aplicado foi um questionário do tipo misto, chamado "questionário de auto avaliação do estilo de vida, ocorrência e controle do stress", validado e aplicado por Andrade (2001).

Os procedimentos de coleta foram: Aprovação do Comitê de Ética da UNIGUAÇU; Contato com a 2º Companhia Independente de Polícia Militar solicitando a participação e definindo data, horário e local de coleta; Explicação e familiarização dos participantes com os objetivos da pesquisa e com o instrumento; Aplicação do questionário garantindo sigilo de identidade.

Os dados foram distribuídos em tabelas de freqüência simples e percentuais da amostra, utilizando a estatística descritiva.


 RESULTADOS:

A média de idade dos participantes foi de 35,2 anos, com uma média de 14,6 anos de efetivos serviços na Polícia Militar.

Conforme analise dos dados foi constatado que 30% (6) policiais desta amostra são sedentários, e 70% (14) foram considerados praticantes de atividade física.

Na auto avaliação dos policiais praticantes de atividade física, 78,5% (11) responderam que nunca, pouco ou às vezes ficam estressados, e 21,4% (3) relataram que regularmente ficam nervosos e estressados. Dos sedentários, 33,3% (2) relataram que nunca, pouco ou às vezes se sentem estressados, enquanto que 66,6% (4) responderam que sempre estão nervosos e estressados.

Sobre os fatores que causam estresse, foram apresentado questões como a defasagem, o arrocho salarial, má administração, a pressão e o excesso de trabalho e responsabilidades.

Quanto as reações psicossomáticas experimentadas, os policiais citaram a insônia, falhas de memória, agressividade, o conformismo e apatia, a agressividade, o mau humor, dores de cabeça e a queda no rendimento do trabalho.

Com relação as estratégias para combater o estresse, foi relatado a prática da atividade física, a meditação, leitura, e a busca de um relaxamento geral.

Na avaliação dos participantes sobre a ação da PM do Paraná no controle e combate ao estresse, a maioria respondeu que é fraca ou que não ocorre.


 CONCLUSÕES:

A partir dos objetivos propostos, da literatura revisada e a análise e interpretação das informações coletadas pode-se concluir que:

O estresse percebido dos policiais militares pesquisados, do município de União da Vitória - PR, encontra-se num elevado nível, pois conforme a pontuação encontrada na escala aplicada, os sedentários atingiram a marca de 38,8 pontos e os ativos/praticantes de atividade física atingiram 33,5, sendo que na escala a pontuação acima de 25 é considerado como nível elevado de estresse.

Ao verificar quais são as principais causas do estresse relatado pelos policiais militares, observou-se a questão da defasagem e arrocho salarial, seguido por muita pressão no trabalho, excesso de trabalho e responsabilidades.

Como reações psicossomáticas experimentadas pela ação do estresse, relatam a insônia, o conformismo e apatia, a agressividade e o mau humor, dor de cabeça, falhas de memória e queda no rendimento do trabalho.

Comparando o nível de estresse dos policiais militares sedentários com o nível de estresse dos policiais militares ativos/praticantes de atividade física, apesar dos dois grupos estarem sendo classificados como elevado nível de estresse pela pontuação alcançada, pode-se dizer que os ativos se percebem menos estressados podendo indicar o efeito positivo da atividade física no controle do estresse.

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