O Associativismo Recreativo e Esportivo dos Portugueses em São Paulo e Suas Redes de Atuação Política (anos 1930)

Por: e Samuel Ribeiro dos Santos Neto.

XV Congresso de História do Esporte, Lazer e Educação Física - CHELEF

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Resumo

Durante a turbulenta década de 1930, houve várias experiências associativas de imigrantes portugueses na cidade de São Paulo. Entre elas figuravam clubes e associações de caráter recreativo, cultural, artístico e esportivo. Os imigrantes lusos foram um dos grupos maiores na história da imigração do período pós independência. Apesar disso, há relativamente pouca produção historiográfica sobre eles, especialmente no campo da cultura, sendo escassos também os estudos sobre o associativismo português em São Paulo. Nesse sentido, esta pesquisa teve por objeto a história dos clubes e associações recreativas e esportivas, com enfoque na Associação Portuguesa de Desportos, no Clube Português e no Portugal Clube. O trabalho foi desenvolvido à luz da história cultural, com particular atenção às reflexões de Certeau (2014) e Chartier (2002) sobre práticas e representações. Buscou-se entender as práticas do associativismo em relação à configuração identitária e política da colônia. Qual era o papel político dos clubes e de que forma atuavam? Que negociações de identidades estavam ligadas a essa atuação? As fontes principais da pesquisa foram constituídas por excertos de jornais da grande imprensa paulistana, coletados na Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional. A interpretação mostrou que as associações recreativas e esportivas dos lusos não se restringiam às suas finalidades mais imediatas (artes, divertimentos, esportes) e participavam ativamente da organização política da colônia, por vezes mobilizando uma identidade hifenizada (LESSER, 2001), luso-brasileira. Várias ações nesse sentido davam-se de forma integrada, envolvendo múltiplas instituições portuguesas, ainda que houvesse tensões no processo. Em suma, a pesquisa demonstrou que, para além de compor redes de apoio (MATOS, 2013) aos imigrantes, as associações de perfil recreativo e esportivo também estruturavam redes de atuação política perante a colônia portuguesa na cidade de São Paulo.

Referências

CERTEAU, Michel de. A invenção do cotidiano: artes de fazer. Petrópolis, RJ: Editora Vozes, 2014.

CHARTIER, Roger. A história cultural: entre práticas e representações. Algés, Portugal: Difusão Editorial, 2002.

LESSER, Jeffrey. A negociação da identidade nacional: imigrantes, minorias e a luta pela etnicidade no Brasil. São Paulo: Editora Unesp, 2001.

MATOS, Maria Izilda Santos de. Portugueses: deslocamentos, experiências e cotidiano São Paulo Séculos XIX e XX. Bauru: EDUSC, 2013.

Fonte de financiamento: Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

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