O Brincar na Margem da Escola de Tempo Integral

Por: e Gabriel da Costa Spolaor.

VI Congresso Sudeste de Ciências do Esporte

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Resumo

A Cultura Escolar constitui-se como resultado sempre provisório e inacabado de negociações e tensões entre diferentes culturas, sujeitos de diferentes lugares sociais, que no agir cotidiano deixam suas marcas no processo de significação da escola. Nesse sentido, podemos dizer que todo o conjunto de práticas sociais que acontecem no interior da escola, são permeadas e constituídas pela Cultura Escolar. A rotina escolar é produzida a partir do movimento de diferentes significações e hierarquias de valor das culturas que permeiam o contexto escolar, portanto, não é neutra. Dentro dela há tempos, espaços e modos de agir que hegemonicamente são mais valorizados, colocados como mais importantes, como por exemplo, as aulas. Mas também, há outras práticas que são colocadas em segundo, terceiro, quarto planos. Geralmente são práticas tratadas como pouco importantes de serem percebidas, refletidas e valorizadas como experiências também educativas. Neste trabalho tivemos como objetivo investigar o brincar nas filas e no refeitório de uma Escola de Tempo Integral da prefeitura Municipal de Campinas. Chamamos os espaços e tempos investigados aqui de marginais, devido a sua significação dentro da rotina escolar. Para tanto, realizamos uma pesquisa de cunho etnográfico, observando uma turma de 1º ano do ciclo I do Ensino Fundamental, em diferentes contextos, durante um semestre. Durante as observações utilizamos diário de campo e escrevemos narrativas como forma de materializar e significar as nossas experiências, o que percebíamos das relações dialógicas entre as crianças, as professoras, na dinâmica do brincar. As palavras e enunciados da narrativa postos em diálogo com o observado dos corpos, gestos, olhares, expressões dos sujeitos nos tempos/espaços da margem escolar. Na interpretação chamamos atenção principalmente para as estratégias e “brincadeiras” de controle dos corpos e expressões utilizadas pelas professoras, assim como, para o brincar resistente e desorganizador semiótico das crianças, que não pretendia dar continuidade na dinâmica da Cultura Escolar, mas subverter, transgredir e pelo menos deflagrar que outra escola era possível de existir, com outras normas, outras configurações, outras regras, outros sentidos e significações. Na intenção de contribuir com as reflexões sobre o brincar no contexto escolar, ao compartilhar alguns episódios e reflexões que vivenciamos e construímos no desenvolvimento da pesquisa, pretendemos tirar o brincar das margens e destacar a sua centralidade no processo educativo e constitutivo das crianças que ali estudam.

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