Resumo


O objetivo desse trabalho é apresentar parte dos resultados do desenvolvimento e aplicação de uma oficina de construção de brinquedos científicos com crianças que vem sendo desenvolvida na Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo como parte das atividades do projeto de divulgação científica Banca da Ciência, financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pela Pró- Reitoria de Cultura e Extensão Universitária da universidade (PRCEU-USP). A proposta da oficina, voltada para o público infantil em idade pré-escolar e/ou dos anos iniciais do ensino fundamental (4 a 6 anos), é abordar, por meio de atividades lúdicas, diferentes aspectos do animal personagem, a joaninha. A escolha desse animal como personagem central de um conjunto de atividades que incluem desde a análise de livros de literatura infantil e personagens de desenhos até propostas de estudos do meio para tentativa objeto específico desse trabalho, está ligada à diversidade de questões que podem ser levantadas numa discussão sobre esse conhecido inseto: a joaninha pode ser do gênero masculino? De que se alimenta esse inseto? Há algum significado no colorido de suas asas? Entre outras. Além dessas questões levantas a partir do conhecimento prévio que comumente as crianças têm sobre o inseto, o formato do corpo da joaninha (de aspecto próximo de uma semiesfera) possibilita que um brinquedo construído a partir desse formato, com uma alteração na sua estrutura, que explicitaremos a seguir, possa ter um comportamento inusitado, tendendo a executar um movimento específico quando colocado de “per nas para o ar”. Esse efeito é conseguido se construirmos a joaninha com um material pouco denso, como o isopor, e colocarmos oculto em um dos lados do brinquedo um pequeno objeto bastante denso como uma chumbada de pesca, por exemplo. Nas oficinas a metodologia utilizada é a da apresentação de um exemplar do brinquedo previamente construído para discussão com as crianças sobre a causa do “comportamento inusitado” da Joaninha Cambota. É proposto às crianças que elas, a partir da observação e manipulação do brinquedo e da discussão com os colegas e com o divulgador/recreador investiguem e deduzam as causas do observado. Posteriormente, a partir de materiais disponibilizados, é proposto que as crianças criem suas próprias Joaninhas Cambotas. Ao final da atividade propõe-se às crianças que apresentem suas joaninhas demonstrando não só o funcionamento do brinquedo, mas também contando detalhes sobre suas escolhas para a produção artística da joaninha, incluindo a escola de design e cores. Resultados de aplicações dessa oficina mostram que as crianças, interagindo em seus grupos, são capazes de elaborar hipóteses sobre o funcionamento de brinquedos científicos, testar suas hipóteses e chegar à solução prática do problema proposto. Além disso, a possibilidade de, com auxílio do divulgador/recreador, construírem seus próprios brinquedos, incentiva o desenvolvimento de habilidades motoras.
 

Arquivo