O Cbaa e a Geopolítica da Produção de Conhecimento em Atividades de Aventura.

Por: e Tiago Rodrigo Alves Nunes.

VIII Congresso Brasileiro de Atividades de Aventura - CBAA

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RESUMO

Este estudo teve como objetivo investigar os trabalhos completos presentes nas edições 2008 a 2012 do Congresso Brasileiro de Atividades de Aventura analisamos a participação regional das Universidades e grupos de pesquisa. Os dados confirmam que existem disparidades regionais, sendo que o Sudeste responde por 51.24% dos textos publicados no CBAA. Analisando as ações locais e os estados mais ricos são produtivos, por fim, sugerimos a indução geopolítica de pesquisa e formação nas regiões com maior produtividade.

Palavras-chave: Estudo do lazer. Grupos de pesquisa. CBAA

Introdução

Comparamos a participação das regiões brasileiras na produção acadêmicas do CBAA – Congresso Brasileiro de Atividades de Aventura. Para tanto, selecionamos os trabalhos completos publicados nas edições de 2008 e 2012. O estudo se justifica tanto para refletirmos sobre as desigualdades regionais quantos para motivar ações para indução de pesquisas nas regiões e estados e com isso analisando como os estudos da área se encontram.

A escolha do CBAA deve-se justamente por ser o único congresso brasileiro voltado especificamente para a temática de atividades de aventura. Sua primeira versão realizada do CBAA foi em 2006 na cidade de Balneário Camburiú - SC com participação de 70 congressistas, intermédio da iniciativa do LEL – Laboratório de Estudos do Lazer, do Departamento de Educação Física, Instituto de Biociência da Universidade Estadual Paulista – Campus de Rio Claro – SP, organizado pelas doutoras Gisele Maria Schwartz e Alcyane Marinho, motivado pelo crescimento emergente, do interesse de pesquisadores e profissionais em investigar situações das atividades de aventura no ambiente da natureza. Um evento científico que direciona suas discussões especificamente a este universo da aventura. A produção em aventura esta muito ligada ao estudo do lazer, talvez porque esses estudiosos tenham percebido a forte relação entre as práticas de aventura e seus interesses acadêmicos e científicos. Inácio (2006) retrata um pouco das publicações sobre o tema citado o ENAREL, as teses e dissertações sobre aventura, os grupos de estudo e as periódicas nacionais.

Assim, o estudo apresentado busca contribuir com os estudos que tematizam a aventura, especialmente considerando que este componente se articula ao lazer na contemporaneidade. De acordo com Isayama (2009), o lazer pode ser compreendido como um campo multidisciplinar que possibilita a concretização de propostas interdisciplinares, por meio da participação em estudos e intervenções de profissionais com diferentes formações.

Sobre a pertinência da pesquisa, esperamos que os resultados possam esclarecer as instituições e grupos que mais vem contribuindo a difusão do conhecimento e identificar as carências locais. Será a aventura um assunto local ou recorrente no país?

Objetivos

Este estudo analisou a distribuição geopolítica da produção científica dos anais do CBBA, no período de 2008 a 2012. Analisando a quantidade de trabalhos completos publicados nas edições nos anais do congresso, investigamos a quantidade de grupos de pesquisas e também os estados que apresentaram mais trabalhos nas últimas cinco edições.

Metodologia

A proposta do trabalho foi realizar uma análise dos trabalhos completos, a partir dos anais dos encontros de 2008 (Santa Tereza – Espírito Santo), 2009 (Mucugê – Bahia), 2010 (São Bernardo do Campo – São Paulo), 2011 Pelotas (Rio Grande do Sul), 2012 (Rio Claro – São Paulo). Este tipo de trabalho já foi realizado pelos autores para pensar a produção do lazer no ENAREL.

Para fins deste artigo, foi tabulada em percentual a participação de autores conforme grupo de pesquisa, instituição e unidade da federação ao qual está vinculada. Em caso de autores de diferentes origens, na tabulação foi computado o artigo uma vez para a somatória, mas na distribuição institucional foram considerados todos os autores. Em caso de não identificado dos autores, foi consultado o currículo Lattes no CNPq. Os resultados estão apresentados em estatística descritiva pelo suporte do programa Excel. Em relação aos recortes (unidades da federação, instituição e grupos de pesquisa) foi considerado o somatório total da produção (2008-2012). Ao todo foram analisados 119 textos completos, o que daria uma media de 23 artigos por CBAA.

Dos grupos de pesquisa

Dos 119 artigos analisados, ao menos 59 são provenientes de grupos de pesquisa. Os grupos de pesquisa têm história relevância para a geração dos principais teóricos da área Aos grupos de pesquisa também percebe-se a evidência no interesse em análise de trabalhos publicados em anais de eventos científicos.

Ao indagar sobre a representatividade dos grupos de pesquisas, o estudo evidenciou 25 grupos dos quais, porém, realizando participações pontuais. Consulta ao Diretório de Grupo do CNPq ou mesmo: ao currículo Lattes do CNPq pode induzir uma falsa percepção sobre o crescimento especializado de produções sobre lazer.

Os grupos que mais publicaram nos anais do CBAA foram LEL (27,11% das produções analisadas), GEL (15,25%), e LAPLAF (6,77%). Isso sugere potencial desses 3 grupos de pesquisa para nuclear de pesquisadores participantes no CBAA, pois a produção dos grupos pode superar a da própria instituição.

Resultados

Com levantamento realizado, foram identificados nas edições 2008 a 2012 do CBAA, a predominância dos grupos na região Sudeste. Como pode ser ilustrada na imagem abaixo que representa a distribuição absoluta dos 25 grupos.

Gráfico 1: Nº dos grupos de pesquisa com produção no CBAA por região

A respeito da distribuição dos grupos por região, veremos que a região Sudeste é quanti-qualitativamente mais presente, embora para todos os resultados se deva ressaltar que das cinco edições estudadas, três ocorreram na região Sudeste. Esse dado, todavia, pode ser falso devido a Alagoas possuir, como estado, significativa participação no CBAA. Isso terá se dado sem constituição de grupos de pesquisa?

O dado abaixo permite entender os estados com maior produção de trabalhos completos no CBAA. Com base material a fim de comparar a eficácia dessa produção, buscamos relações entre a PPE – Participação percentual na produção do CBAA (2008 – 2012) com a QT – quantidade de trabalho, a capacidade provável do estado em investir em pesquisas e desenvolvimento científico.

Tabela 1: Quantidade de trabalho (QT) nas edições (2008 a 2012) com maior participação percentual na produção do CBAA (PPE). PPE ESTADOS QT 22.68% São Paulo 27 13.44% Rio de Janeiro 16 11.76% Santa Catarina 14 10.92% Paraná 13 9.24% Rio Grande do Sul 11 9.24% Espírito Santo 11 6.72% Alagoas 8 5.88% Minas Gerais 7 2.52% Bahia 3 1.68% Mato Grosso do Sul 2 147

Os dados apresentados abaixo mostram que há mais estabilidade que variação no número de publicações em cada edição do CBAA:

Tabela 2: Comparativo das edições de 2008 a 2012 do CBAA Total de trabalhos publicados CBAA (2008) - ES CBAA (2009) - BA CBAA (2010) - SP CBAA (2011) – RS CBAA (2012) - SP 26 29 21 13 30 Fonte: Comparativo das cinco edições do CBAA.

Quanto a São Paulo, todos os dados parecem obter coerência: o estado mais rico, que possui o maior mercado consumidor, com as instituições melhor classificadas nos rankings internacionais de produtividade. Albuquerque, Simões, Baessa, Campolina e Silva (2002) ressaltam, por exemplo, que no Sudeste se encontram 70% do PIB, 84% da produção tecnológica, 79% da produção científica e 69% dos pesquisadores. São Paulo responde por 46,8% dos artigos científicos publicados no Brasil.

Outro caso, diz respeito ao investimento estratégico que instituições cujos grupos são predominante compostos por alunos de graduação para evidenciar sua produção e motiva a continuidade dos estudos entre seus integrantes. Entre os limites dessa argumentação vale lembrar que a produção em outros eventos tenha uma visão diferente a ponto de referência de produções acadêmicas, o que nos leva a novos estudos envolvendo outros eventos, tais como ENAREL, O Lazer em Debate e o CONBRACE e indagar como a produção sobre atividades de aventura ocorre nesses eventos indiretos.

Considerações

Podemos concluir neste estudo comparamos das regiões brasileiras na produção acadêmica apresentado no CBAA – Congresso Brasileiro de Atividade de Aventura entre 2008 a 2012. Os dados apresentados apontam um olhar na produção no campo de aventura em estados situados nas regiões Centro-Oeste, Norte, Nordeste. A partir dos dados levantados, vimos a importância de São Paulo e Rio de Janeiro com mais contribuições no conhecimento difundido nas edições. São Paulo tem um diferencial pela capacidade em adotar pesquisadores de outros locais dos estados em suas produções científicas. Com isso mostra uma capacidade de integração dos grupos de pesquisa, especificamente a partir do LEL.

Com os dados mostrados sugerimos a indução geopolítica de pesquisas e formação nas regiões com essas situações dão um sinal claro de uma preocupação dos estados nas pesquisas. Basta ter contradições próprias continuação de produzir resultados, reconhecendo a importância dos diferentes áreas na compreensão do tema aventura e tendo um papel significante a frente da sociedade e também para contribuir nas pesquisas científicas e visando um conhecimento de oportunidade de criar e valorizar os estudos do lazer e servindo referencial para novos levantamentos e segmentos do lazer e da aventura.

REFERÊNCIAS

ALBUQUERQUER, E. M.; SIMONE, R.; BAESSA, A. R.; CAMPOLINA, B.; SILVA, L. A. A distribuição espacial da produção científica e tecnológica brasileira: uma descrição de estatísticas de produção local de patentes e artigos científicos. Revista Brasileira de Inovação, Rio de Janeiro, v. 1, n. 2, p. 225-251, 2002.

DIAS, V. K.; CAPARROZ, G. P.; CAMPAGNA, J.; CATIB, N. O. M.; TREVISAN, P.R.T. C.; PEREIRA, D. R. S. Atividades de Aventura e a Produção dom Conhecimento em Programa de Pós-Graduação. In: IV CONGRESSO BRASILEIRO DE ATIVIDADES DE AVENTURA. Mucugê – BA. Anais. 1 – 4 jul. 2009.

DIAS, V. K.; TREVISAN, P.R.T. C.; CATIB, N. O. M.; CAMPAGNA, J.; CAPARROZ, G. P.; KAWAGUTI, C.N. Produção Científica sobre Atividades de Aventura em Anais de Eventos. In: IV CONGRESSO BRASILEIRO DE ATIVIDADES DE AVENTURA. Mucugê – BA. Anais. 1 – 4 jul. 2009.

PEREIRA, D. W. Produção Científica do CBAA. In: V CONGRESSO BRASILEIRO DE ATIVIDADES DE AVENTURA. São Bernardo do Campo – SP. Anais. 1 – 4 jul. 2010.

SOUZA, ALEXANDRE, P. T. DE; ISAYAMA, HELDER. F. Lazer e educação física: análise dos grupos de pesquisas em lazer cadastrados na plataforma Lattes do CNPq. Lecturas. Revista Digital, Buenos Aires, Disponível em: http://www.efdeportes.com. Anão.11,n. 99, ago.de 2009.

SCHWARTZ, G. M. In: I CONGRESSO BRASILEIRO DE ATIVIDADES DE AVENTURA – CBAA. Balneário Camboriú – SC. Anais. 30 jun – 01 jul. 2006.

SANTOS, P. M.; VENÂNCIO, R. S.; TEIXEIRA, F. A.; MARINA, A. Lazer em Foco: concepções adotadas nos anais do Congresso Brasileiro de Atividades de Aventura de 2006 a 2011. In: VII CONGRESSO BRASILEIRO DE ATIVIDADES DE AVENTURA. Rio Claro – SP. Anais. 6 – 8 jul. 2012.

Endereço: http://cev.org.br/biblioteca/anais-do-viii-congresso-brasileiro-de-atividades-de-aventura-cbaa

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