O Comportamento Negativo dos Alunos, o Lazer e a Educação Física Escolar

Por: Juraci Mendes Gomes do Rêgo.

X EnFEFE - Encontro Fluminense de Educação Física Escolar

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Um ponto de partida: O processo de socialização

Falta de atenção, agressividade, baixo rendimento escolar, baixa auto-estima, falta de cuidados com o corpo, falta de respeito com os colegas, professores e funcionários, violência etc. Enfim, qual o professor que não se deparou com esses "problemas?" Acredito que todos ou quase todos.

O que fazer então para melhorar esse quadro? Como a Educação Física Escolar poderá contribuir diante destes comportamentos? Haverá uma receita? Uma fórmula mágica? Claro que não.

Sabe-se que o comportamento dos alunos está diretamente ligado ao meio em que vive. Quase sempre as relações sociais exercem grandes influências sobre as suas atitudes. Conclui-se então que, o processo de socialização é o ponto de partida para as mudanças de atitudes.

A esse respeito Henneman (1985) diz: "O processo de socialização inclui a modelagem e o desenvolvimento da personalidade, motivação, atitude e, mesmo, da percepção através de contatos com outras pessoas" e continua: " É um processo de aprendizagem social pelo qual a criança adquire as habilidades, costumes e atitudes daqueles junto aos que cresce - sua família, colegas, professores e outros com quem entra em contato freqüentemente". (p.107)

Uma das funções da escola é promover esse processo de socialização.E, o professor de Educação física tem uma parcela importante dentro deste processo.

Muitas vezes não temos consciência da grande importância que envolve a socialização dentro do processo de aprendizagem.

Portanto, é muito importante a relação que os alunos mantém nos diversos ambientes sociais e, também a co-relação entes eles. A influência que um exerce sobre o outro. O professor de Educação Física Escolar não poderá fechar os olhos e desprezar tal importância.

Colocá-los em sua prática pedagógica é um compromisso que deverá ter.

Educação física e o universo escolar

A Educação Física Escolar veio se unir as outras disciplinas e participar ativamente da proposta pedagógica da escola. A Educação Física muitas vezes, ou melhor, quase sempre é colocada a parte do universo educacional. Como se estivesse à parte da educação escolar. Isto é histórico. Cansei de ler e ouvir sobre isso durante toda a minha formação. Até quando vamos ficar culpando a história por nossas posturas e atitudes profissionais ? É claro que temos obrigação de conhecermos e entendermos a.história da Educação física escolar para que possamos ao longo dos tempos mudá-la. Precisamos criar uma consciência em relação ao que estamos fazendo dentro do contexto escolar. Se não fizermos isso, nada irá acontecer. Iremos ficar rodando em círculo.Sejamos mais objetivos, práticos, diretos.

A teoria e a prática devem caminhar juntas. Elas são o ponto de partida para uma mudança significava de nossa posição dentro do universo escolar.

Vamos mudar a história da Educação Física Escolar. Vamos colocar a Educação Física Escolar no lugar que ela merece. Fazer valer o seu valor não pela obrigatoriedade, mas pela sua função educacional, pela sua importância.É claro que não vou desmerecer o que conquistamos até aqui. Mas precisamos ousar mais. Temos que nos infiltrarmos no universo dos alunos. Participarmos mais ativamente da sua realidade, analisarmos em que ambientes sociais estão inseridos, conscientizá-lo do seu universo e situá-lo perante do mundo.

A Educação física Escolar sozinha não fará milagres, mas poderá contribuir e muito para a socialização dos alunos, desenvolvendo dentro de suas aulas a valorização da cidadania, fazendo com que os alunos cresçam mais conscientes de sua função na sociedade. Fazendo valer os seus direitos e deveres, formando cidadãos críticos de sua realidade, articulando as múltiplas dimensões do seres humanos, dentro do universo da cultura corporal de movimento.Pois é através do movimento que o ser humano interage com seu semelhante e com o meio ambiente.

A Educação Física Escolar utiliza-se dos jogos, dos esportes, das danças,das lutas e das ginásticas em benefício do exercício crítico da cidadania e da melhora da qualidade de vida.

As interações entre as pessoas estão estruturadas nos processos sociais, que trazem incluídos valores fomentados pela cultura.

Tomemos como exemplo, os alunos que são humilhados todos os dias em seu convívio familiar.Além de serem agredidos fisicamente, são exploradas no trabalho doméstico ou então colocados nas ruas e sinais de trânsitos para conseguir sustento. Se voltarem para casa sem dinheiro, são espancados covardemente. Ainda há os que são abusados sexualmente pelos próprios parentes ou colocadas nas ruas para se prostituírem, e muitas passam fome. O Estatuto da Criança e do Adolescente em seu artigo 18 legaliza que: É dever de todos velar pela dignidade da criança e do adolescente, pondo-os a salvo de qualquer tratamento desumano, violento, aterrorizante, vexatório ou constrangedor. Então eis as minhas perguntas: Como essas crianças chegam na escola? Como é o comportamento delas diante dos professores e colegas? O que podemos esperar delas? Que sejam dóceis e meigas? Que sejam gentis e educadas? Que sejam fortes os suficientes para fazer exercícios físicos? Que tenham bom rendimento escolar? Certamente esses alunos refletem o que passam todos os dias. Com raras exceções. Elas provavelmente serão agressivas com os colegas, professores e funcionários. É a hora da revanche! De colocar toda a sua revolta para fora.É claro que isso tudo é inconsciente, pois ela não tem intenção em premeditar um comportamento. Elas apenas refletem o que vivem no seu dia a dia. Todos esses comportamentos causam agressividades,falta de concentração,dificuldade de conviver em grupos, baixo desempenho escolar e etc.

A educação física escolar e o exercício da cidadania

A Educação Física Escolar de acordo com o tema transversal cidadania, deverá ser trabalhado nas aulas de Educação Física Escolar, objetivando que o aluno seja capaz de compreender a cidadania como participação social e política, fundamentada no exercício de direitos e deveres.

Portanto devemos conscientizar tanto as crianças como os adolescentes que eles têm direitos e deveres, que devem ser exercidos. Que existem leis que as protegem contra as violências que sofrem dentro e fora de casa. Leis que as protegem da exploração do trabalho infantil e sexual. Que têm direitos à saúde, a educação, ao transporte, a um ambiente sócio-cultural saudável adequado para se desenvolverem.

Um dos maiores direitos que as crianças possuem são roubados diariamente. É o direito de brincar. E a Educação Física Escolar poderá resgatar um pouco desse direito, através de um professor mais consciente de sua responsabilidade como educador.

Colocando assim desta forma parece que a Educação Fica Escolar é a grande salvadora. Mas não é bem assim. Ela vem apenas somar e contribuir para uma maior valorização humana dentro do universo escolar. A escola não é somente um lugar de transmissões de conhecimentos. Ela forma cidadãos críticos e conscientes de seu valor e dignidade dentro da sociedade.

O professor que temos e o professor que queremos

Com relação ao que era a Educação Física Escolar há algum tempo, podemos

dizer que ela melhorou muito. Mas há que se caminhar muito ainda. O professor de Educação Física tem que participar mais ativamente dentro da escola. Não apenas ser chamado para organizar competições, gincanas, projetos e festas juninas. È importante que todos os professores, de todas as disciplinas, participem dos eventos, não só a Educação física. Que haja uma maior integração entre os que trabalham na escola, bem como, os serventes, seguranças, porteiros, secretárias, coordenadores e diretores. Enfim, criar um ambiente que tenha um comprometimento com o desenvolvimento pleno dos alunos.

Sou otimista em relação à Educação e, especialmente a Educação Física Escolar. Ela é o ponto de partida em direção a uma educação mais dinâmica e eficaz.

Muitos professores têm atitudes que não condiz com a de um educador. Eles gritam o tempo todo, são agressivos em suas colocações verbais e, muitas vezes suas tarefas são colocadas de forma ameaçadoras. Agem como verdadeiros ditadores. Ele fala e o aluno obedece. Como esse professor pode se dizer EDUCADOR?

Outro problema que acontece com freqüência nas escolas é a seleção e o desenvolvimento dos conteúdos. Cada professor desenvolve o seu conteúdo e o aluno não consegue relacionar uma disciplina com a outra.. Dificultando o seu aprendizado.

Ghiraldelli Junior (1988) coloca que: "É preciso sim, uma Educação Física que valorize os conteúdos,mas que saiba construir e organizar conteúdos críticos e progressistas no sentido da construção de novos cidadãos para uma outra sociedade, mais democrática e mais justa".(págs. 7 e 8)

A maioria das escolas não faz questão de uma organização democrática e nem uma gestão escolar participativa. Os pais e a comunidade não participam do universo escolar e vice-versa. O Estatuto da criança e do Adolescente no seu Artigo 53, parágrafo único diz: É direito dos pais ou responsáveis ter ciência do processo pedagógico bem como participar da definição das propostas educacionais.

Através dos jogos os alunos desenvolvem o reconhecimento de si e das possibilidades de ação, das inter-relações sociais com a sua família, com as outras crianças, com o seu professor e com os adultos; facilita também a sua ação e comunicação dando sentido a sua convivência com o coletivo, as suas regras e os valores que estes envolvem, dando oportunidades a eles de decidirem as próprias regras e realizarem um julgamento de valor , que também será desenvolvido em todas as fases do seu desenvolvimento escolar, modificando assim o grau de dificuldade e desenvolvendo as suas habilidades e, fazendo uma co-relação com a sua realidade,procurando desta forma as soluções de problemas também em sua vida pessoal.

Segundo Soares,Taffarel,Varjal, Castelanni Filho,Escobar e Bracht no livro Metodologia de Ensino de Educação Física (1992), " O homem se apropria da cultura corporal dispondo sua intencionalidade para o lúdico, o artístico, o agonístico, o estético ou outros, que são representações, idéias, conceitos produzidos pela consciência social e que chamaremos de "significações objetivas". Em face delas, ele desenvolve um "sentido pessoal" que exprime sua subjetividade e relaciona as significações objetivas com a realidade da sua própria vida, do seu mundo e das suas motivações."(p. 62)

Sendo assim, o professor de Educação Física Escolar deverá formular os conteúdos visando não só a interdisciplinaridade mas a socialização através da cultura corporal.

A contribuição da Educação Física Escolar vem através da participação na formação de caráter dos alunos e de desenvolvimento de sua capacidade de superar limites sem precisar ser uma prática esportiva de alto rendimento. Ela fala através do corpo e do movimento. As atividades lúdicas devem ter um destaque especial dentro do planejamento da Educação Física Escolar.

Quando digo que, ainda temos muito que caminhar. É porque, ainda existem professores que em seu planejamento de ensino colocam conteúdos importantes. Mas na hora da prática esses conteúdos desaparecem. Permanecendo apenas no papel.

A elaboração dos conteúdos deve ter um motivo e uma forte relação das necessidades dos alunos. Sobre essa questão, Soares, Taffarel, varjal, Castellani Filho, Escobar e Bracht (1992) expõe: "A escola, na perspectiva de uma pedagogia crítica superadora aqui defendida, deve fazer uma seleção dos conteúdos da Educação Física. Essa seleção e organização de conteúdos exigem coerência com o objetivo de promover a leitura da realidade. Para que isso ocorra, devemos analisar a origem do conteúdo e conhecer o que ele determinou a necessidade de seu ensino". (págs. 63 e 64)

Acredito também que o planejamento deverá basear-se na cultura local.

Vamos analisar este exemplo: Não se tem muito o hábito de soltar pipas em Niterói, especialmente nos bairros cento e zona sul. Já na região oceânica conseguimos visualizar mais esse lazer.

Na baixada fluminense em todas as regiões vê-se milhares de pipas pelo ar. Faz parte da cultura local. Então o professor pode ensinar os alunos a fazerem suas próprias pipas, bem como alertar para os perigos das fiações elétricas, os acidentes que os vidros moídos utilizados podem causar a si e aos que transitam nas ruas, de soltarem pipas em Lages sem proteção, etc. Essas são diferenças locais. E o professor deve estar atento a essas coisas. Aplicar a cultura local em seus conteúdos é de suma importância para que o aluno co-relacione com a sua realidade.

A minha proposta é que o professor saia um pouco da mesmice. Ainda existem alguns professores que ministram as suas aulas, recebem os seus salários e vão embora, sem se envolverem com nada. Sem nenhum compromisso com a realidade de seus alunos.
Devemos criar novas formas de educar. Devemos utilizar todas as nossas teorias e metodologias em função de um exercício pleno de nossa profissão e de nossa cidadania.

FREIRE em Educação e mudança expõe: "O compromisso, próprio da existência humana, só existe no engajamento com a realidade, de cujas " águas" os homens verdadeiramente comprometidos ficam "molhados", ensopados. Somente assim o compromisso é verdadeiro".(p.19)

A Educação Física Escolar participa ativamente do desenvolvimento integral dos alunos. E com certeza, contribuirá positivamente para a soluções dos problemas que tanto influenciam nos comportamentos negativos provenientes de suas relações sociais. E com certeza, interferem na sua aprendizagem.

È imprescindível os momentos de lazer que envolve os alunos em nossas escolas.E seria mais interessante ainda à escola realizar momentos de lazer com os familiares dos alunos, com a comunidade local, com os professores e com todos os funcionários da escola.
Por que não fazer, por exemplo, um fim de semana do mês, um dia de lazer, do qual os próprios alunos criem as brincadeiras e suas próprias regras? Que convidem os seus familiares para um dia de lazer, onde o lúdico se fará presente. Que convidem a comunidade a exigirem das autoridades locais, áreas de lazer em seus bairros.

Essas são algumas propostas que poderão ajudar na inter-relação dos alunos com os seus parentes e a sociedade. Mas com uma participação efetiva da instituição de ensino.

As atividades lúdicas têm um papel importantíssimo na vida não só das crianças, mas de todos. Embora muitos ainda se neguem a acreditar nisso.

Eu poderia escrever milhões de palavras sobre as atividades lúdicas. E mesmo assim ainda estariam faltando algumas. Mas serei breve. O brincar trás satisfação, bem estar, alegria, melhora a auto-estima, promove a socialização, elimina as tensões etc. Todas as brincadeiras têm suas regras,mas sem no entanto serem rígidas, inflexíveis, elas poderão ser modificadas a qualquer momento. Quando brincamos temos a sensação de prazer e bem estar geral. Assim nos tornamos seres mais felizes e saudáveis.

As pessoas que moram em áreas carentes, vivem em situação de tensões diariamente. A falta de moradia descente, o desemprego e os vícios dos pais e parentes, as violências estampadas em volta de suas casas, com balas perdidas etc. Essas coisas acabam refletindo no seu dia a dia.

Essa é a realidade que vive nossos alunos e seus familiares. Vão vivendo sem ter um momento de lazer. Nunca tem tempo para relaxar e liberar essas tensões .Vivem reclamando, criticando e agredindo as crianças em casa e nas ruas também. Humilhando-as e diminuindo-as enquanto seres humanos.

Atividades lúdicas contribuem em todos os sentidos para todas as classes sociais. E se faz urgente para as classes menos favorecidas.
A Educação Física Escolar através dos seus professores deverão estar atentos a esses detalhes e fazer o máximo esforço em colocar em suas aulas as atividades lúdicas, proporcionando aulas mais dinâmicas, agradáveis e alegres. Estendendo essas atividades para as famílias e para a comunidade em que a escola esta localizada.

Delors (1999) coloca que no campo da educação pode-se identificar as atividades de lazer como ações integradoras dos " Quatro pilares da educação": Aprender a conhecer e a pensar; Aprender a fazer; Aprender a viver juntos,aprender a viver com os outros; Aprender a ser.

Medina (1987) coloca a importância dos profissionais quando escreve: "Enquanto os profissionais da Educação Física não abrirem os olhos procurando penetrar em sua realidade de forma concreta através da reflexão crítica e da ação, não serão capazes de promover conscientemente o homem a níveis mais altos de vida, contribuindo com sua parcela para a realização da sociedade e das pessoas em busca de sua própria felicidade".

E complementa: "Toda ação que nos faça distanciar destes propósitos estará desservindo ao homem e diminuindo-o".(págs. 63 e 64)
Não só a Educação Física, mas a Educação de um modo geral, ajudará os alunos a transformar as influências externas negativas em positivas, contribuindo para seu bem estar e a melhora da sua auto-estima. Melhorando assim as relações interpessoais com a família, seus professores, seus colegas e com a sociedade como um todo . Contribuindo para uma efetiva transformação através da Educação. E, especialmente através de uma Educação Física Escolar mais participativa.

FREIRE em seu livro Pedagogia da autonomia diz: "...Se estivesse claro para nós que foi aprendendo que percebemos ser possível ensinar, teríamos entendido com facilidade a importância das experiências informais nas ruas, nas praças, no trabalho, nas salas de aula das escolas, nos pátios dos recreios,em que variados gestos de alunos, de pessoal administrativo,de pessoal docente se cruzam cheios de significação. Há uma natureza testemunhal nos espaços tão lamentavelmente relegados das escolas". (p.44)

Que os erros do passado sirvam de base para que possamos amenizar ou até corrigir os erros do presente. Que sejamos verdadeiramente EDUCADORES.

Obs. O autor, professor Juraci Mendes Gomes do Rêgo (juracimgr @globo.com) é professor do Clube dos Quinhentos

Referências bibliográficas


Soares,Carmem Lúcia, TAFFAREL,Celi Nelza Zülke,VARJAL,Elizabeth, CASTELLANI FILHO, Lino, ESCOBAR,Micheli Ortega, Bracht,Valter (1992) Metodologia do Ensino de Educação Física - Editora Cortez - S.P
Delors, Jacques (1999) - Educação- Um tesouro a descobrir: Relatório para a
Unesco da Comissão Internacional sobre Educação para o século XXI -Tradução de José Carlos Eufrázio - Editora Cortez - S.P
Ghiraldelli Junior, Paulo (1988) Educação Física Progressista -Ed. Loyola - S.P
Hennemam,Richard H. (1985) - O que é psicologia - 14ª edição - Editora José Olympio - R.J
Medina,João Paulo S. (1987) - A educação cuida do corpo... e "mente" - 7ºed. -- Editora Papirus - Campinas - S.P
Freire, Paulo (1979) - Educação e Mudança - 28º edição - Editora Paz e Terra - São Paulo
F, Paulo (1996) - Pedagogia da Autonomia : Saberes necessários à prática educativa -- 33º edição - Editora Paz e Terra - São Paulo
Estatuto da Criança e do Adolescente - Lei 8069 de 13 de Julho de 1990.

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