O Conteúdo Dança em Foco na Educação Física Escolar

Por: Samara Queiroz do Nascimento Florêncio.

III Congresso de Ciência do Desporto

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Introdução: A dança, já por volta da década de 1970, quando surgem propostas para a renovação da Educação Física brasileira, aparece como um dos elementos constituintes dessa disciplina. Porém, até os dias atuais, sua sistematização na Educação Física escolar ainda não se encontra consistente. Muitos professores a utilizam como extravasamento de energia ou comemoração de festas temáticas sem ao menos conhecer os elementos que permeiam por este conteúdo.

Objetivo: analisar como os professores de Educação Física abordam os conteúdos da dança dentro da Educação Física escolar.

Metodologia: pesquisa descritiva, com abordagem qualitativa, tendo como amostra 20 professores de Educação Física de escolas públicas. Sendo 10 professores de escolas no município de Campina Grande/PB (campo I) e 10 professores atuantes no município de João Pessoa/PB. Instrumento de coleta, entrevista semi-estruturada, gravada e análise dos dados a partir da hermenêutica em Paul RICOEUR (1978). Resultados: constatou-se que o campo I, traz a vivência da dança com elementos de forma desorganizada. No campo II, evidencia-se elementos que compõe a dança enquanto agente de transformação do ser humano. Em relação ao trato com textos referente aos repertórios nota-se no campo I uma aproximação com a cultura local, já no campo II, percebe-se mais vivências com as danças brasileiras, urbanas e eruditas, como moderna e clássica, nota-se também a busca da historicidade deste repertório. Ambos os campos tratam de forma peculiar a composição coreográfica deixando algumas lacunas, limitando-se a produção de coreografias. Tratando outro conteúdo da dança, nota-se que tanto o campo I quanto o campo II vivenciam a improvisação, permitindo a participação ativa dos alunos no processo de construção criativa, porém no campo I a vivência com esse conteúdo se restringe a criação distanciando-se da práxis. Já os subtextos, aspectos fisiológicos e coreológicos presentes no movimento, percebe-se que apenas o campo II oportuniza esses conhecimentos e o campo I só traz a relação com os determinantes da cultura local. Percebemos, embora não seja um estudo comparativo, uma visão da dança mais ampliada no campo II, o qual este trata durante as aulas as emoções, sensações corporais e sexualidade.

Conclusão: Conclui-se que os dois campos analisados tratam de forma diferenciada os conteúdos da dança, denotando uma não sistematização com o tratamento deste conteúdo na Educação Física escolar, apresentando lacunas em ambos. Embora tenham conhecimento da relevância com o trabalho da dança na formação do ser humano, a partir das práticas, descaracterizam seu valor pedagógico e educacional. É preciso que os conteúdos sejam articulados e que os professores obtenham capacitação para tratar o conteúdo dança dentro da Educação Física. Sugere-se que novas pesquisas sejam realizadas a fim de buscar uma sistematização desses conteúdos e que sejam oferecidos cursos de formação continuada que possam dar suporte aos professores que trabalham que esta temática.

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