O Corpo e a Cidade: Algumas Significações Sobre a Cultura de Movimento em Natal/rn

Por: Thompson Pereira da Costa.

60 Reunião Anual da SBPC

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INTRODUÇÃO:

A cidade coloca em cena e exige novos modos de vida que atingem a família, o trabalho, o descanso, as necessidades fisiológicas, o lazer, a educação. No contexto urbano, a atenção ao corpo ocupa boa parte das preocupações da vida social, configurando um sistema que inclui as práticas corporais em si e também o consumo de roupas, alimentos, lazeres, saúde. Na pesquisa, investigamos práticas corporais realizadas em espaços públicos e privadas da cidade do Natal. Como objetivos da pesquisa pretende-se: mapear práticas corporais realizadas nos espaços públicos e privadas da cidade do Natal/RN, buscando compreender a intencionalidade dessas práticas a partir da experiência vivida dos sujeitos; apontar perspectivas de compreensão das práticas corporais como um espaço de construção da cidadania, da subjetividade, da ética, da estética, do bem-viver e do viver - com no espaço urbano contemporâneo.


METODOLOGIA:

Para a composição dos dados, utilizamos a entrevista semi-estruturada com 57 sujeitos. Utilizamos como metodologia a fenomenologia e a estratégia do fenômeno situado, considerando os três momentos interdependentes: descrição, análise ideográfica e análise nomotética. Na descrição buscamos compreender a experiência vivida dos sujeitos no que se refere aos sentidos pra realização de práticas corporais e as condições ambientais e sociais dessa prática.


 RESULTADOS:

Para a construção da matriz nomotética, destacamos as unidades de sentido individuais (análise ideográfica) e os respectivos percentuais de convergência dos discursos: Vida saudável (79%); Estética (30%); Lazer (16%); Socialização (7%); Satisfação com o corpo (63%); Insatisfação com o corpo (37%); Cuidados médicos (74%); Informações sobre saúde (91%); Fazer práticas corporais (39%); Ficar em casa no tempo de lazer (30%); Sair no tempo de lazer (53%); Percepção política da cidade (100%). Cabe esclarecer que cada percentual indica a convergência entre os sujeitos pesquisados. Com relação à vida saudável, os sujeitos apontaram sentidos relacionados a evitar doenças, condicionamento físico e bem-estar. Quanto à significação estética apontaram sentidos relacionados a emagrecer e adquirir massa muscular. A insatisfacão com o corpo na fala dos sujeitos relaciona-se ao desejo de emagrecer e de adquirir massa muscular. No que se refere ao lazer, destacam atitudes relacionadas ao brincar e ao contato com a natureza. Alguns sujeitos também compreendem as práticas corporais como forma de relaxar as tensões cotidianas ou mesmo para ocupar o tempo. Alguns sujeitos destacam a possibilidade de relacionar-se com um grupo e fazer amizades. A insatisfação com o espaço destinado a realização das práticas, clubes, parques, praias, relaciona-se com a falta de infra-estrutura ou a grande quantidade de pessoas. A preocupação com a vida saudável e a cultura do bem-estar relaciona-se aos cuidados médicos, boa alimentação, prática regular de exercícios e com acompanhamento de especialistas. Por fim, a percepção política da cidade, relacionada à identificação de diferenças de opções de vida nas regiões administrativas norte e sul, com maiores investimentos nas áreas turísticas da cidade, situadas em sua maioria na região sul da cidade.


CONCLUSÕES:

As significações construídas são indicativas de uma cultura de movimento identificada com a vida saudável. Cabe refletir sobre as expectativas dos sujeitos e as e as demandas para a Educação Física, seja no sentido de questionar uma ideologia do corpo saudável, sobremaneira identificado com o culto da aparência e da juventude; seja no sentido de propor alternativas para as práticas corporais e a vida saudável. As significações construídas a partir das entrevistas configuram usos do corpo que vão desde a perspectiva biológica de aumentar a resistência física à dimensão simbólica e afetiva do brincar e fazer amizades. Há sentidos relacionados à coação do corpo e do movimento no que se refere ao acesso e ao uso de espaços da cidade, assim como sentidos que apontam uma relação afetiva com a cidade, associada às praias, ao clima, às relações pessoais. As significações construídas constituem uma dimensão específica da vida dos sujeitos, demarcando um estilo de vida na cidade que oscila entre a ideologia do ser saudável e o cuidado de si como enunciação subjetiva. Cabe a educação Física refletir sobre essas demandas e indicar rumos que contribuam efetivamente para uma cultura de movimento autônoma, democrática, criativa.

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