O Corpo Incerto - Corporeidade, Tecnologias Médicas e Cultura Contemporânea

Por: F. Ortega.

254 páginas. Garamond. 2008

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Sobre a Obra

Este livro se debruça sobre os efeitos, na subjetividade contemporânea, do que já se convencionou chamar de “culto ao corpo ”ou “cultura somática ” (em oposição à cultura psicológica, hegemônica até poucas décadas atrás). Esse fenômeno fez com que o corpo se tornasse, mais que um objeto de desejo, um objeto de design. Hoje ele é “personalizável ” por meio de práticas de ascese corporal como o fisiculturismo e a dietética; de tecnologias médicas como cirurgias plásticas, próteses e intervenções farmacológicas; e de modificações radicais em sua anatomia, que incluem amputações voluntárias. Isto porque o corpo, como tela em que projetamos nossos ideais de eu – nosso cartão de visitas na rede de relações sociais –, é o último reduto em que os indivíduos se sentem capazes de reinventar-se. Mas – sempre incerto – esse corpo inserido na cultura tem aspectos paradoxais. Por um lado, é supervalorizado, como aquela parte do real para a qual nos voltamos em busca de alguma certeza numa era de fluidez e fragmentação simbólica. Por outro lado, como precisa atender aos anseios contemporâneos de mutação constante, o corpo se revela obsoleto: seus limites podem e devem ser superados pelas tecnologias de “aperfeiçoamento ” da natureza. Portanto, o corpo é ao mesmo tempo cultuado e desprezado, e esse aumento da atenção e do controle produz uma incerteza maior a seu respeito.

Este livro, dada a complexidade do seu objeto, procura mapear diferentes instâncias em que tal ambigüidade se apresenta. Em função disto e de sua inserção num campo transdisciplinar como o da saúde coletiva, O corpo incerto irá interessar a leitores de diversas áreas: filosofia, ciências sociais, psicologia social, psicanálise, psiquiatria, educação, comunicação, saúde pública etc. Além disso, o livro reúne características que lhe dão um interesse que ultrapassa o universo acadêmico. Unindo rigor, clareza e originalidade com uma real curiosidade acerca de problemas do “mundo vivido ” – a realidade social compartilhada –, Francisco Ortega empreende aqui uma abordagem que explora com brilhantismo diversas perspectivas de análise, dando ao leitor um panorama múltiplo e complexo do que está em jogo, que debate existe, que alternativas se oferecem.

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