O Corpo Que Dança: os Jovens e Suas Tribos Urbanas

Por: Lilian Freitas Vilela.

1998 27/11/1998

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Resumo

Esta pesquisa nasceu de um desejo de investigação sobre as manifestações culturais dançadas atualmente pelos jovens que moram na periferia da cidade de Campinas. O olhar da investigação concentrou-se nos dançarinos, ou melhor, nas "tribos urbanas" que dançam Punk Miami e Break (Hip-Hop) nos bailes da cidade. Junto a este tema foram levantados dados e contextos destas danças, vividas em momentos de ritos e festas, bem como pontos relevantes sobre sua significação na vida de seus criadores atores. O referenda! teórico abordado junto aos temas: corporeidade e dança, cultura popular, rituais urbanos e mundialização cultural, juntamente com a contextualização de origem e histórico destas manifestações, veio se aliar à metodologia aplicada na pesquisa de campo nos bailes (observação e registro), descrições de movimentos (com apoio no vídeo em anexo), análises dos principais elementos estéticos coreográficos e análise do conteúdo do discurso dos dançarinos. Os dados coletados na pesquisa de campo (categorias de significado levantadas no discurso dos dançarinos e da análise das estruturas estéticas) apoiados no referencial teórico desvelaram símbolos trazidos por estas identidades grupais desterritorializadas buscando relações entre a dança popular com a sociedade contemporânea e a mundialização cultural, os rituais urbanos e a representação da masculinidade na dança. Pudemos constatar que a experiência estética da dança proporciona aos dançarinos a possibilidade de existência enquanto seres que sentem e pensam com seus corpos no mundo. Dentro das próprias diferenças estéticas e de linguagem entre estas duas danças, Funk Miami e Break, pudemos perceber que as sensações alternam-se, misturam e se completam, sendo veículo de prazer, momento de sociabilização e de viver o "estar-junto" em grupo, autoconhecimento, crítica e contestação por um espaço em nossa sociedade e, para os jovens moradores de periferia são um caminho distante do mundo da drogas e da criminalidade. A dança deu voz e corpo às tensões e contradições do mundo em que vivem atuando também como "válvula de escape" para as pressões da sociedade e do mundo adulto. - As danças de rua vêm legitimar o conteúdo crítico e estético da arte popular, sintonizado com a mundialização cultural e com a produção artística contemporânea, porém, correm o risco de serem formalizadas e destituídas de seus contextos originais, para servirem de instrumental para aulas de condicionamento físico e de "docilizadores" de corpos.

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Endereço: http://www.bibliotecadigital.unicamp.br/document/?code=vtls000224319&opt=1

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