O Esteriótipo de Corpo Perfeito no Balé Clássico

Por: Alícia Montanha.

XV Congresso de História do Esporte, Lazer e Educação Física - CHELEF

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Resumo

A maioria das pessoas leigas no assunto com relação a dança, principalmente o balé clássico, diriam que os bailarinos devem sim ter o corpo longilíneo, pés e pernas alongados, e principalmente magros. É o que também se diria no início (Itália, século XV e França, século XVII) e durante a história dessa arte, principalmente na Europa e outros países. Porém, com a evolução do balé e outras danças, descobriu-se muitas possibilidades para o corpo humano com relação aos movimentos, conscientização corporal e, principalmente, acesso a dança. Os bailarinos procuram a perfeição do corpo e também de sua execução, superando limites como qualquer outro atleta de alto rendimento. Mas nos dias atuais existe a possibilidade de estar em sua melhor forma, fazendo balé ou outra dança, sem precisar se preocupar com o peso ideal. O Balé Clássico está voltado para todos que queiram fazer parte dessa arte. A construção do bailarino e a sua expressividade corporal são idealizadas de acordo com o esteriótipo de corpo perfeito? O objetivo deste trabalho foi avaliar como se construiu esse esteriótipo no Balé Clássico. Com base em uma pesquisa metodológica de natureza básica, com investigação não-experimental abordando o problema de maneira qualitativa e exploratória, esse resumo foi embasado em pesquisa de artigos científicos e levantamento bibliográfico. O número de livros, artigos, teses e dissertações recolhidos na base de dados eletrônica foram de aproximadamente 2.589. Porém, foram escolhidos para aprofundamento, quatro artigos científicos e um bibliográfico. O corpo do bailarino foi moldado culturalmente e socialmente, por suas práticas corporais, crenças e valores, para ser considerado membro do meio em que vive, ou seja, magro com membros superiores e inferiores alongados e finos. Podemos avaliar aqui que o esteriótipo da bailarina foi criado em um período do Romantismo na Europa, em que ela deveria ser uma “fada”, magra, leve e graciosa, jovem e que tivesse disciplina e fosse rígida consigo mesma para se encaixar nesse modelo a qualquer custo, fazendo sacrifícios, muitas vezes. Podemos fazer um link com a Escola Francesa do fim do século XIX, na qual havia o ensinamento de exercícios com ênfase na sistematização, praticado de forma contínua e calculada. Cada pessoa possui um corpo, um efeito e interesse diferente. O corpo do bailarino necessita de movimentos com especificidades, ou seja, mais conhecimentos, mais exercícios e repetições sempre. Por fim, o esteriótipo de corpo perfeito de um bailarino se iniciou e foi se transformando ao longo das épocas num padrão a ser seguido, objeto da dança e expressão, com métodos rígidos e disciplinares que se perpetuam até hoje, principalmente nos que querem chegar a profissionalização. Porém, a dança não é apenas um objeto dançante, magro, flexível e leve, ela é rezar com a alma, transcender barreiras, voar mesmo que esteja em solo.

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