O Jogo: Conteúdo e Estratégia Para o Ensino do Esporte.

Por: Rodrigo Paiva.

III Congresso de Ciência do Desporto

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Faz parte da discussão atual sobre metodologias de ensino do esporte uma contraposição entre o JOGO e o EXERCÍCIO. Encontramos na literatura algumas considerações sugerindo que os exercícios são promotores de aprendizagem técnica, enquanto que os jogos são tidos como facilitadores da compreensão tática. Diversos autores fomentam reflexões sobre metodologias renovadas, que buscam romper com as práticas tradicionais de exercícios (Souza, 1999; Freire, 2003; Paes, 2002; Paes, 2009; Rossetto Jr. et alli, 2008). Há uma lacuna aparente nesta discussão no que diz respeito ao uso dos jogos para o ensino das habilidades técnicas do esporte. O objetivo desta pesquisa foi investigar a contribuição do jogo para o ensino de habilidades técnicas dos fundamentos do voleibol durante a prática esportiva. Participaram como sujeitos desta pesquisa, 10 crianças com média de idade 12 anos (±1,4), dividas em dois grupos: GE - Grupo de exercícios e GJ - Grupo de Jogos. Foram aplicadas, a cada grupo, 16 aulas de uma hora de duração cada, 2 vezes por semana. Para o GE as aulas tinham como método os exercícios, tarefas tradicionais. Para o GJ as aulas eram orientadas exclusivamente por jogos que possibilitavam igualmente a execução dos fundamentos. Realizamos três monitoramentos do desempenho na execução dos fundamentos (toque e manchete) e do total de contatos com a bola. O primeiro monitoramento foi realizado na segunda aula, o segundo na nona aula e o último monitoramento na décima quinta aula.

  • Gestos Monitoramento
  • 1
  • Monitoramento
  • 2
  • Monitoramento
  • 3
  • Toque 15 30 57
  • JOGO Manchete 5 9 16
  • Contatos com a bola 54 107 199
  • Toque 17 6 5

EXERCÍCIO Manchete 15 11 9 Contatos com a bola 89 70 68
A tabela acima, somatória de contatos corretos com a bola, apresenta a evolução no desempenho dos alunos na prática dos fundamentos nos grupos GE e GJ. Podemos observar melhora progressiva em ambos os fundamentos, mais evidenciada na execução do toque, no Grupo de Jogos, do primeiro ao terceiro monitoramentos. A mesma linearidade nã se apresentou no Grupo de exercícios. Inversamente, o monitoramento do GE apresenta uma redução do número de contatos com a bola demonstrando que, embora o exercício possa contribuir para a aprendizagem do gesto técnico, não contribuiu para a manutenção da bola no ar. Concluímos que o jogo, enquanto espaço de prática que permite um maior número de contatos com a bola, pode contribuir tanto para a aprendizagem da tática, da manutenção da bola no ar, quanto para a aprendizagem técnica dos fundamentos.

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