O Lugar do Espaço no Lazer

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O LUGAR DO ESPAÇO NO LAZER

 
 

No oferecimento de atividades de recreação e lazer faz-se pensar no espaço destinado à essas atividades, em decorrência das funções básicas do lazer:

função educativa, caracterizada pelo interesse próprio dirigido para a ampliação dos horizontes mentais, busca de novas experiências e de novo conhecimento;

função de ensino, caracterizada pela assimilação ou aprendizagem das normas culturais, de ideais filosóficos ou políticos, das normas de convivência social ou de comportamentos;

função integrativa, que tem por objetivo solidificar ou integrar os grupos, principalmente os familiares, de amizade-companhia, de interesses comuns;

função recreativa, que compreende atividade relacionada com o descanso psicológico e físico;

função cultural, refere-se à compreensão e assimilação dos valores culturais ou à criação de novos;

função compensadora, seriam as atuações que, de alguma forma, nivelam as insatisfações das outras áreas da vida.

MARCELLINO (1983) considera que, muito embora as pesquisas realizadas na área das atividades desenvolvidas no tempo livre enfatizem a atração exercida pelo tipo de equipamento construído, deve-se considerar que, para a efetivação das características do lazer é necessário, antes de tudo, que o tempo disponível corresponda  um espaço disponível.

De que espaços falamos? Dos espaços de:

interesses sociais – quando os sujeitos se propõem a estarem juntos, face a face, e relacionarem-se, antes de tudo que possa acontecer decorrente do encontro;

 

interesses físicos – quando a proposta é feita em função de atividades corporais onde prevaleçam os exercícios do corpo;

interesses intelectuais – que têm como primeira instância o desenvolvimento do domínio cognitivo na atividade, não considerando o elemento criativo e sim o concreto, o racional, o lógico;

interesses artísticos – onde o produzido gera o encantamento (STUCCHI, 1997).

O espaço que nos interessa, são os espaços dos interesses turísticos, que têm como finalidade: mudança de paisagem, ritmo (saída do cotidiano), observação e sensação de outros estilos de vida, e também o turismo social se caracterizando por uma dimensão menor (STUCCHI, 1997).

Estes interesses, que também mostram uma dimensão concreta traduzida como lugares, podem ter significados diferentes em função da forma como cada sujeito os vê e os utiliza. Daí a preocupação com os estudos dos equipamentos de recreação e lazer deve ter como objetivos classificá-los segundo suas características físicas de construção, aspectos físicos estéticos e dimensões proporcionais aos locais geográficos em que serão implantados, como também agradar aos olhos de que os utilizará, inspirando confiança.

CAMARGO (1984) classifica os equipamentos de lazer segundo suas características físicas, seus oferecimentos e sua demanda. Adotando sua nomenclatura e classificação, STUCCHI (1997) apresenta-nos a seguinte descrição:

 

Equipamentos específicos

A frequência de determinado equipamento vai depender do local em que se situa e da demanda existente pela facilidade de acesso. As formas de existência dos equipamentos podem ser visualizados quanto à dimensão física do espaço e suas finalidades programáticas, como segue:

Equipamentos especializados

Conceito: são equipamentos destinados a atender uma programação especializada, ou uma faixa de interesses culturais específicos. Como exemplo, a “ academia de ginástica”;

Programação: voltada para um segmento dos interesses socioculturais da clientela. estruturada sobre uma modalidade específica de animação. Exemplo: os “parques aquáticos”;

Localização: em áreas urbanas, de grande concentração populacional;

Público: delimitado pelo interesse e pela localização;

Composição: geralmente de uma quantidade limitada de instalações para atividades;

Exemplos de equipamentos especializados: teatros, auditórios, cinemas, academias de ginástica, centros esportivos voltados para um interesse específico (natação, futebol, tênis, voleibol), bibliotecas, parques aquáticos, campos de golfe e/ou de minigolfe.

  1. Equipamentos polivalentes
  1. De dimensões e capacidades médias

Conceito: equipamentos destinados a receber uma programação diversificada, ou para atender variados interesses socioculturais. Com dimensões e capacidades para atender até 2.500 pessoas/dia, nas atividades permanentes, e até 5.000 pessoas simultaneamente, em eventos especiais ou de fins de semana;

Programação: atividades permanentes, temporárias e eventuais diversificadas, segundo públicos e interesses culturais;

Localização: preferentemente em áreas urbanas, próximas ao centro da cidade ou em regiões comerciais. Ou então em regiões de grande concentração populacional;

Atendimento: durante os dias da semana, período integral. E com ênfase nos finais de semana;

Público: de toda uma cidade, ou de uma região importante de uma grande cidade;

Composição: várias instalações para atividades, diversificadas por interesses socioculturais, por públicos e por conteúdos, de dimensões e capacidades entre média e grande, conforme o caso;

Exemplos: centros culturais em geral, quando associam instalações diversificadas – teatro, áreas de exposição, bibliotecas. Centro poliesportivo em geral. Parques urbanos. Centros culturais e esportivos.

  1. Equipamentos polivalentes grandes

Conceito: equipamentos destinados a atendimentos de massa, em uma programação diversificada, abrangendo variados interesses socioculturais. Com instalações de grandes dimensões e grande capacidade;

Programação: permanentes, temporária e de eventos, amplamente diversificada, segundo públicos, interesses socioculturais e conteúdo;

Localização: em uma região importante de um estado ou de uma grande cidade. Pode também se localizar em regiões da periferia das cidades, devido às dimensões de terreno necessário;

Atendimento: preferentemente nos fins de semana. Durante a semana, principalmente nos grandes eventos;

Público: de toda uma cidade, ou de uma região do estado;

Composição: várias instalações de grande capacidade, complementada por algumas instalações menores, diversificadas por interesses socioculturais, conteúdos e públicos. De preferência, priorizar as áreas verdes.

  1. Equipamentos de turismo

Conceito: equipamentos destinados a programação turística em geral, associando hospedagem e atividades recreativas;

Programação: além das programações tipicamente de hotelaria – recepção, hospedagem e alimentação, programações diversificadas de lazer e recreação;

Localização: preferencialmente em áreas de interesse turístico, pelas características geográficas-naturais e/ou histórico-culturais;

Atendimento: em temporadas de férias, em períodos determinados, em feriados e nos fins de semana. Ou nos períodos de pacote turístico programado;

Público: genericamente o mais amplo, do estado, do país e do exterior;

Composição: instalações para hospedagem, para alimentação (restaurantes, lanchonetes), e instalações para atividades de lazer, de preferencia diversificadas;

Exemplos: hotéis de lazer, resorts, colônia de férias, grandes parques em escala regional, estadual e nacional, quando têm unidades de hospedagem, camping, acampamentos, pousadas em locais retirados (praias, montanhas, reservas ecológicas), pousadas em cidades turísticas.

BIBLIOGRAFIA

BRUHNS, Heloisa Turini. Introdução aos estudos do lazer. Campinas : Unicamp, 1997.

CAMARGO, Luís Octávio Lima. O que é lazer. São Paulo : Brasiliense, 1984.

MARCELLINO, Nelson Carvalho. Lazer e humanização. Campinas : Papirus, 1983

STUCCHI, Sérgio. Espaços e equipamentos de recreação e lazer. in BRUHNS, Heloisa Turini. Introdução aos estudos do lazer. Campinas : Unicamp, 1997, p.105-122.

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