O Parque Bacacheri e Seus Arranjos Sociais: a Relação Entre o Lazer e o Uso da Maconha

Por: Gabriela Cardoso Machdo.

Licere - v.19 - n.1 - 2016

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Resumo


Esta pesquisa buscou compreender os arranjos sociais e as tensões inerentes no uso de um parque público da cidade de Curitiba. O trabalho teve como objetivo identificar quais as possíveis influências que práticas como especialmente o uso da maconha, podem alterar a rotina de atividades do Parque Bacacheri, quando se trata da apropriação de seus espaços de lazer. A pesquisa teve sustentação teórica a partir dos temas sobre a maconha; a teoria do lazer anormal e o conceito de lazer desviante. Como suporte, nos valemos das contribuições de autores da área da Psicologia, Sociologia e Educação Física. Tratamos de definir nesse trabalho, os conceitos de cidade, lazer, espaço público e comportamento desviantes, assim como lazer anormal. O marco metodológico foi sob a perspectiva de uma abordagem qualitativa, com registro de observações sistemáticas em diário de campo e entrevistas semiestruturadas com os frequentadores assíduos do parque, para isso foram criadas as seguintes categorias de análise: o Parque Bacacheri e o fenômeno do lazer; os arranjos do parque em dia de semana: um equilíbrio; os (des)arranjos dos finais de semana no parque: uma tensão; o acordo silencioso que expulsa. Os participantes incluídos para as entrevistas nessa pesquisa foram de forma voluntária, e como condição para tanto, deveriam ser frequentadores do Parque Bacacheri, maiores de idade, com assiduidade igual ou superior a duas vezes por semana no parque. Pudemos constatar que a população entrevistada, moradora do entorno e que frequenta o parque, em sua grande maioria se incomoda com o fato de presenciar e conviver com adeptos do uso da maconha nos espaços do parque. Os mesmos afirmaram não frequentar mais o parque aos finais de semana, principalmente aos domingos, por fatores como a superlotação do parque e a diminuição da percepção de segurança. Por outro lado, os adeptos do uso da maconha que foram entrevistados relataram que se sentem no direito de se apropriar dos espaços públicos da cidade, incluindo o parque Bacacheri. Dizem escolher esses espaços para fumar maconha, pois almejam o contato com a natureza e com a beleza do lugar, como também se sentem mais seguros nesses espaços. E acreditam ainda que o fato do uso da maconha em espaços públicos, já está sendo mais tolerado pela população em geral
 

Endereço: https://seer.ufmg.br/index.php/licere/article/view/1545

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