O Remo e a História de Porto Alegre, Rio Grande do Sul: Mosaico de Identidades Culturais no Longo Século XIX

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151 páginas. 2011 00/00/0000

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Resumo

A prática do remo na cidade de Porto Alegre foi incrementada nas duas primeiras décadas do XX, em razão da fundação de associações de remadores, por imigrantes advindos da Europa e seus descendentes. Essas associações de remo se configuraram como um ambiente propício para a construção de representações de identidades culturais de imigrantes alemães, portugueses, italianos e seus descendentes. Tendo em vista este cenário, apresenta-se o problema de pesquisa: que representações de identidades culturais foram negociadas pelas associações de remo fundadas na cidade de Porto Alegre, no longo século XIX? Em busca de respostas para decifrar esta questão norteadora da pesquisa utilizou-se fontes históricas: documentais, impressas e imagéticas. As principais fontes documentais e impressas consultadas foram as atas dos clubes de remo e os jornais “A Federação” e “O Independente”. As fontes imagéticas foram extraídas por meio das imagens fornecidas das fontes impressas, dos arquivos de clubes e de álbuns comemorativos. As fontes revelaram que no princípio do século XX, havia um império de associações de remo que produziam representações de identidades culturais teuto-brasileiras, nos primeiros clubes de remo fundados em Porto Alegre: o Ruder Club Porto Alegre e o Ruder Verein Germania. Estas duas associações fundaram a primeira entidade federativa brasileira, o Comitê de Regatas. Em reação a esta hegemonia, instaurou-se uma associação de remadores, fundada por luso-brasileiros, o Grêmio de Regatas Almirante Tamandaré. A instalação desta associação marca o acirramento das disputas identitárias no cenário do remo porto-alegrense. Neste mesmo período, representantes destes diversos grupos uniram-se em torno de uma associação de remo que agrupou representações de identidades culturais teuto-brasileiras, luso-brasileiras e brasileiras, o Club de Regatas Almirante Barroso. Com a fundação de novas associações de remo, as regatas tornaram-se ocasiões, nas quais lutas de representações identitárias eram travadas entre as associações. Em meio a estas competições de remo, um grupo de jovens teuto-brasileiros fundou a primeira associação juvenil de remo, o Ruder Verein Freundschaft. Mesmo se aproximando de identidades culturais teuto-brasileiras, essa associação que congregava apenas jovens remadores travou uma batalha individual para demarcar espaço no associativismo porto-alegrense. Outra associação de remo emergiu para se fazer representar na prática do remo: o Club Italiano Canottieri Ducca degli Abruzzi. Este clube congregava majoritariamente ítalo-brasileiro, que até então enfrentavam barreiras simbólicas para integrarem-se aos demais clubes de remo. Estas diferenças identitárias se potencializaram na segunda década do século XX, nas competições de remo, onde torcedores se identificavam com suas associações e, muitas vezes, entravam em conflito para defendê-las, como ocorreu em 1911, no Campeonato do Estado. No fim da década de 1910, apareceram novas representações identitárias no remo, com a fundação do Club de Regatas Vasco da Gama. Os pioneiros deste clube buscavam construir uma identidade cultural luso-sul-rio-grandense. Neste mesmo ano, em 1917, as associações com identidades culturais teuto-brasileiras agregaram representações de uma identidade cultural brasileira. Nesse sentido, consideramos que os conflitos identitários foi um dos aspectos que contribuiu para a expansão da prática do remo nas associações esportivas na cidade de Porto Alegre

Endereço: http://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/32722

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