O Skate Vertical e Sua Profissionalização na Década de 1980

Por: Leonardo Brandão.

XV Congresso de História do Esporte, Lazer e Educação Física - CHELEF

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Resumo

O skate é uma das atividades esportivas mais praticadas por jovens no Brasil. Segundo uma pesquisa do Instituto Datafolha realizada em 2015, existem mais de 8,5 milhões de skatistas no país. Além disso, foi amplamente noticiada pelos meios de comunicação a inclusão do skate nas Olimpíadas de Tóquio em 2020. Concomitante ao aumento no número de praticantes, os estudos sobre skate também vêm ganhando relevância nos últimos anos, sobretudo com dissertações, teses e publicações de artigos em revistas especializadas. A quase totalidade dos estudos, entretanto, aborda o street skate, isto é, o skate praticado nas ruas ou em pistas que simulam obstáculos de rua, como corrimãos e guias. Sobre a modalidade em pistas verticais (grandes rampas no formato de “U”, chamadas half-pipe, meio-tubo, em português) ainda é escassa a bibliografia. Este trabalho visa ocupar essa lacuna, dar publicidade e também atualizar pontos de uma pesquisa que estamos realizando com essa modalidade a partir da subárea da História do Esporte e com um recorte temporal na década de 1980 (BRANDÃO, 2014, 2017). O objetivo foi compreender o início da profissionalização dos praticantes de skate vertical junto a um conjunto de fatores que engloba a construção de pistas específicas para essa modalidade, o surgimento das primeiras organizações de skatistas - como a A.B.S (Associação Brasileira de Skate), a U.S.E (União de Skatistas e Empresários) e a U.B.S (União Brasileira de Skate) -  e o consequente desenvolvimento dos grandes campeonatos de skate vertical, como o Sea Club Overall Skate Show, realizado em São Paulo no ano de 1988 – o qual trouxe pela primeira vez o maior ídolo desta modalidade para o país, o norte-americano Tony Hawk – e a Copa Itaú de Skate, realizada em janeiro de 1989 numa grande estrutura montada na praia de Ipanema no Rio de Janeiro. O método de estudo se deu com base em análise de impressos, ou mais especificamente, com três revistas especializadas em skate que foram publicadas nacionalmente durante esse período. A primeira foi a revista Overall, da editora Abril, que contou com 18 edições entre 1985 e 1990, sendo seguida pela revista Yeah!, da editora Visão, com 11 edições entre 1986 e 1988 e, por fim, a revista Skatin’, da editora Azul, com 14 edições entre os anos de 1988 e 1990. A conclusão é que a segunda metade da década de 1980 foi um período-chave para o início da esportivização dessa modalidade no Brasil, pois tanto as representações do skate como um esporte não poderiam ter sido criadas sem essas mídias, quanto a profissionalização de muitos de seus praticantes não poderia acontecer sem um calendário com grandes eventos realizados em parceria com associações de skatistas e empresários.

Referências

BRANDÃO, Leonardo. A década de 1980 e o desenvolvimento do skate vertical. Recorde. Rio de Janeiro, v. 10, n. 1, p. 1-28, jul/dez, 2017.

BRANDÃO, Leonardo. Para além do esporte: uma história do skate no Brasil. Blumenau: Edifurb, 2014.

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