Olimpismo e Responsabilidade Social

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O Primeiro de Janeiro - 2013

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Se repararmos na evolução das Cartas Olímpicas (CO) ao longo dos tempos podemos verificar que durante os quase cento e vinte anos de vida do Comité Olímpico Internacional (COI) entre, anuários, cartas, aditamentos, protocolos e regras de interpretação podem-se contar inúmeras alterações, acrescentos e correções, aliás, como não podia deixar de ser. Quer dizer, as CO não têm sido documentos estáticos, mas, pelo contrário, têm revelado uma dinâmica a todos os títulos notável que, muitas vezes, não tem sido acompanhada pelo interesse dos dirigentes desportivos que, por dever de ofício, as deviam ter "na ponta da língua".

Se analisarmos a rubrica dos "princípios fundamentais" que, a partir da edição da CO de 1930 passaram a abrir o documento, podemos verificar que, das diversas alterações introduzidas, nem tudo correu bem. O conceito de Olimpíada, como vimos, foi um deles. Como foi também uma alteração introduzida na CO de 1958. O que aconteceu foi que o nº 6 dos "princípios fundamentais" da CO de 1949 dizia tão só: "não são qualificados para representar as cores de um país nos Jogos Olímpicos senão os nacionais desse país".
Entretanto, o nº 7 da CO de 1958 passou a dizer: "não são qualificados para representar as cores de um país nos Jogos Olímpicos senão os nacionais desse país. Os Jogos Olímpicos são competições entre indivíduos e não entre nações". Ora, este articulado, salvo melhor opinião, parece-nos ferido de profunda contradição.

Mas também tem havido transformações muito positivas. Por exemplo, enquanto a CO de 2010 no nº 7 dos "princípios fundamentais" diz que: " (...) Aliando o desporto à cultura e educação, o Olimpismo procura criar um estilo de vida fundado no prazer do esforço, no valor educativo do bom exemplo e no respeito pelos princípios éticos fundamentais universais.", a CO de 2011 no mesmo nº 7 diz: "(...) Aliando o desporto à cultura e educação, o Olimpismo procura criar um estilo de vida fundado no prazer do esforço, no valor educativo do bom exemplo, na responsabilidade social e no respeito pelos princípios éticos fundamentais universais." Quer dizer, foi acrescentado o valor da "responsabilidade social". O Olimpismo "é uma filosofia de vida que coloca o desporto ao serviço da humanidade". Ora, colocar o desporto ao serviço da humanidade é ter do desporto uma ideia de desenvolvimento que requer a consciência de uma responsabilidade social solidária que nada tem a ver com uma alucinação esquizofrénica que pretende fazer do COP uma fábrica de produzir medalhas olímpicas. As medalhas são verdadeiramente importantes quando integradas em políticas públicas geradoras de desenvolvimento humano.

Endereço: http://www.oprimeirodejaneiro.pt/opj/

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