Os Novos Lugares do Corpo e da Natureza nas Representações Publicitárias da Grande Imprensa Paulistana (anos 1920)

Por: Samuel Ribeiro dos Santos Neto.

XV Congresso de História do Esporte, Lazer e Educação Física - CHELEF

Send to Kindle


Resumo

O que se entende por natureza é uma construção histórica, que ganha sentido ao longo do tempo pela ação humana, como nos apontam Lenoble (1990), Thomas (1989) e Corbin (1989). As mudanças das representações sobre o natural e suas qualidades produzem novas práticas e novas sensibilidades. Esta pesquisa parte do contexto da primeira metade do século XX no Brasil, período em que os elementos da natureza passam a ser cada vez mais mobilizados em ideais higiênicos, pedagógicos e estéticos, simbolizando uma nova ordem urbana (SOARES, 2016). Isso se refletiu na adoção de práticas esportivas, de cura e de divertimento ao ar livre, a partir do que notamos não só novas concepções sobre a natureza, mas também sobre o próprio lugar do corpo. Os estudos sobre essa temática são relativamente recentes, e têm recebido atenção nos campos da história da educação e da educação física. Entendendo que as dinâmicas sobre a vida ao ar livre dizem respeito a aspectos culturais importantes da cidade, este trabalho buscou na história cultural os recursos para interpretar a relação entre as práticas adotadas e as múltiplas representações construídas ao redor delas. O objetivo foi o de entender de que forma essas novas ideias se manifestavam nos textos e imagens publicitárias na grande imprensa do período. Em que contexto apareciam? O que podemos concluir sobre sua presença? Constituímos como fontes o Correio Paulistano e O Estado de S. Paulo. Na análise dos excertos, notamos que a vida ao ar livre era tema recorrente na publicidade: do setor imobiliário, de automóveis, de sanatórios e de tônicos para a saúde. Práticas como passear, tomar banho de sol e praticar esportes ao ar livre eram representadas nos reclames. Isso indica o grau de adesão que essas práticas já possuíam em parte da população paulistana e, também, que elas já faziam parte de uma dinâmica de desejos dessa população, a ponto de serem representadas no discurso publicitário. A imprensa parece ser uma boa fonte para compreender as mudanças na relação entre corpo e natureza em São Paulo nos anos 1920.

Referências

CORBIN, Alain. O território do vazio: a praia e o imaginário ocidental. São Paulo: Companhia das Letras, 1989.

LENOBLE, Robert. História da ideia de natureza. Lisboa, Portugal: Edições 70, 1990.

SOARES, Carmen Lucia. Três notas sobre natureza, educação do corpo e ordem urbana (1900-1940). In SOARES, C. L. (Org.). Uma educação pela natureza: a vida ao ar livre, o corpo e a ordem urbana. Campinas: Autores Associados, 2016.

THOMAS, Keith. O homem e o mundo natural. São Paulo: Companhia das Letras, 1989.

Comentários


:-)





© 1996-2019 Centro Esportivo Virtual - CEV.
O material veiculado neste site poderá ser livremente distribuído para fins não comerciais, segundo os termos da licença da Creative Commons.