Os Valores Orientadores das Práticas Desportivas em Grupos Emergentes da Terceira Idade: Um Estudo Sobre as Suas Construções Simbólicas.

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316 páginas. 1999 10/11/1999

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Resumo

Este estudo situa-se dentro da perspectiva global de conhecimento da terceira idade e em particular no âmbito do corpo e do desporto, as representações simbólicas que comandam a resistência ao envelhecimento. É pertinente aos objetivos deste, verificar as representações simbólicas, a construção dos sentidos que orientam a participação dos idosos em atividades físicas e desportivas, os hábitos de vida dos respectivos grupos. Os estudos nesta dimensão procuram compreender o fenómeno para poder interpretá-lo. A realidade fenomenal empírica tratada neste estudo a partir de recortes do real, foi apreendida em quatro grupos distintos: (1) praticantes de natação, (2) praticantes de atletismo (inclusive a prova de maratona, todos com participações em competições), (3) frequentadores da UnATI/ UERJ (4) frequentadores de uma Academia, situada na cidade do Rio de Janeiro. Todos praticantes de atividades físicas regulares. As articulações metodológicas utilizadas neste estudo qualitativo, inscrevem-se numa dimensão sócio-antropológica e caminharam no veio fenomenológico-existencial. O método comparativo faz parte de tais articulações e ao admiti-lo propomos-nos verificar as semelhanças e diferenças existentes em tais grupos. As estratégias metodológicas utilizadas foram: a auto-narrativa de identidades, que foi obtida através de entrevistas semi-estruturadas e do diário de campo. O modelo por nós estruturado para esta comparação foi: comparar inicialmente os grupos 1 e 2 (os competidores), e 3 e 4 (praticantes de atividades físicas) para estabelecer uma comparação entre si, e em seguida uma comparação entre os resultados encontrados nos dois grupos. Obtivemos os dados da pesquisa com base em recolhas etnográficas. As interpretações foram feitas a partir dos discursos dos idosos e não pura e simplesmente sobre um texto, o que por conseguinte pode ser confrontado com o objeto de representação ali expresso, possibilitando-nos a sua validação. A partir de uma escuta exaustiva, recortamos, descrevemos e interpretamos os discursos dos atores, aceitando desde o princípio, que a descrição e a interpretação coexistem e interagem durante todo o processo, pois na própria descrição está contida a interpretação. A análise de conteúdo temática auxiliou nas interpretações. Todo o esforço desta articulação metodológica-epistemológica, tem como questãofondantea existência do grupo estudado, numa tentativa de compreender o seu modo de ser no mundo, o seu modo de o habitar. Como considerações finais apreendemos que de algum modo, os mecanismos geradores das diferenças encontram apoio na avaliação feita por eles, das suas experiências passadas, em relação às atuais, e ainda encontram algumas possibilidades de construção para projetos futuros. A crença nas suas escolhas garante-lhes uma segurança ontológica. A qualidade de vida está garantida no interior das práticas. O uso instrumental e valorativo do seu corpo, são exemplos de mudanças audaciosas, que os tornam diferentes dos demais idosos. Os comportamentos apresentados por estes idosos, dão corpo à atitude de uma nova geração que emerge no seio da tradição.

Endereço: https://repositorio-aberto.up.pt/handle/10216/10009

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