Padrões de Aptidão Física e Qualidade de Vida de Bombeiros Militares

Por: Emerson Filipino Coelho.

Revista de Educação Física - Centro de Capacitação Física do Exército - v.87 - n.1 - 2018

Send to Kindle


Resumo

Introdução: As atividades operacionais desempenhadas pelo bombeiro militar são de alta intensidade, exigindo adequada aptidão física. Nesse contexto, investigar a prática de atividade física em relação ao desempenho físico é importante. Além disso, poucos estudos focalizaram a qualidade de vida desses militares.

Objetivo: Investigar a relação entre o nível de atividade física habitual, a aptidão física e a qualidade de vida de bombeiros militares.

Métodos: Estudo de corte transversal, descritivo e correlacional. A amostra foi composta por 30 bombeiros militares de uma corporação de Minas Gerais. A aptidão física foi avaliada por meio do Teste de Avaliação Física (TAF), aplicado pelo Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG), no ano de 2016. A avaliação do nível de atividade física habitual foi realizada utilizando-se o questionário de Baecke. A qualidade de vida foi avaliada pelo SF-36. A normalidade da distribuição dos dados foi testada pelo teste de Shapiro Wilk. A relação entre as variáveis foi testada pelo coeficiente de correlação de Pearson. Todas as análises foram realizadas com nível de confiança de 95%.

Resultados: Houve correlação significativa (p≤0,05) do nível de atividade física com aptidão física (r=0,41) e com os seguintes aspectos da qualidade de vida: capacidade funcional (r=0,35), vitalidade (r=0,35), aspectos sociais (r=0,37) e saúde mental (r=0,63). Aptidão física mostrou-se associada com o escore psicológico da qualidade de vida (r=0,37).

Conclusão: Maiores níveis de atividade física habitual estavam associados a maior aptidão física em bombeiros militares. Além disso, nível de atividade física habitual apresentou correlação mais forte com qualidade de vida do que aptidão física.

Patterns of Physical Fitness and Quality of Life in Military Firefighters

Introduction: The operational activities performed by the military firefighter are of high intensity requiring adequate physical fitness. In this context, to investigate physical activity practice regarding physical performance is important. In addition, few studies have explored the quality of life of these military personnel.

Objective: To examine the association of habitual physical activity level, physical fitness and quality of life in a military fire company.

Methods: Cross-sectional, descriptive and correlational study. The sample consisted of 30 military firefighters from a Minas Gerais corporation. Physical fitness was assessed with the Physical Fitness Test (PFT), applied by the Military Fire Brigade of Minas Gerais (MFBMG) in 2016. The assessment of the habitual level of physical activity was performed using the Baecke questionnaire. Quality of life was assessed by SF-36. The normality of the data distribution was tested by the Shapiro Wilk test. Correlation was tested by the Pearson correlation coefficient. All analyzes with a 95% confidence level.

Results: There was a significant correlation (P<0.05) of habitual physical activity level with physical fitness (r=0.41) and with the following domains of quality of life: functional capacity (r=0.35), vitality (r=0.35), social aspects (r=0.37) and mental health (r=0.63). Performance in PFT was associated with a psychological quality of life score (r=0.37).

Conclusion: Higher levels of habitual physical activity were associated with greater physical fitness in military firefighters. Furthermore, level of habitual physical activity showed stronger correlation with quality of life than physical fitness.


 

Referências

Minas Gerais. Constituição (1989). Constituição do Estado de Minas Gerais. Belo Horizonte: Assembléia Legislativa, 1989.

Farinatti PTV. Apresentação de uma Versão em Português do Compêndio de Atividades Físicas: uma contribuição aos pesquisadores e profissionais em Fisiologia do Exercício. Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício. 2003; 2: 177-208.

Nahas MV. Atividade física, saúde e qualidade de vida. 2.ed. Londrina: Midiograf; 2001.

Boldori R. Aptidão física e sua relação com a capacidade de trabalho dos bombeiros militares do estado de Santa Catarina. (Dissertação de Mestrado). Florianópolis: Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção da Universidade Federal de Santa Catarina; 2002.

Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais. Resolução n 114 de 31 de dezembro de 2003. Dispõe sobre o Teste de Avaliação Física a ser aplicado ao pessoal do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais.

Organización Mundial de la Salud. Promoción de la salud: glosario. Genebra: OMS; 1998.

Dalquano CH, Junior NN, Castilho MM. Efeito do treinamento físico sobre o processo de envelhecimento e o nível de aptidão física de bombeiros. Revista da Educação Física/UEM. 2003; 14(1): 47–52.

Baptista MN, Morais PR, Carmo NC, Souza GO, Cunha AF. Avaliação de depressão, síndrome de Burnout e qualidade de vida em bombeiros. Psicologia Argumento. 2005; 23(42): 47-54.

Marconato RS, Monteiro MI, Marconato RS, Monteiro MI. Pain, health perception and sleep: impact on the quality of life of firefighters/rescue professionals. Revista Latinoamericana de Enfermagem. 2015; 23(6): 991–999.

Silveira JLG. Aptidão Física, Índice Capacidade de Trabalho e Qualidade de Vida de Bombeiros de Diferentes Faixas Etárias em Florianópolis - SC. (Dissertação de Mestrado). Florianópolis: Universidade de Federal de Santa Catarina; 1998.

Araújo DSMS de, Araújo CGS de. Aptidão física, saúde e qualidade de vida relacionada à saúde em adultos. Revista Brasileira de Medicina do Esporte. 2000; 6(5): 194–203.

Thomas JR, Nelson JK, Silverman SJ. Métodos de pesquisa em atividade física. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2007.

Fernandes Filho J. A Prática da Avaliação Física. 2.ed. Rio de Janeiro: Shape; 2003.

Ciconelli RM, Ferraz MB, Santos W, Meinão I, Quaresma MR. Brazilian-Portuguese version of the SF-36: a reliable and valid quality of life outcome measure. Revista Brasileira de Reumatologia. 1999; 39(3): 143-150.

Florindo AA, Latorre MRDO. Validação e reprodutibilidade do questionário de Baecke de avaliação da atividade física habitual em homens adultos. Revista Brasileira de Medicina do Esporte. 2003; 9(3): 129–35.

World Health Organization. Obesity: preventing and managing the global epidemic. Geneva: World Health Organization; 2000.

Sociedade Brasileira de Cardiologia. Diretriz de Reabilitação Cardíaca. Arquivos Brasileiros de Cardiologia. Maio de 2005; 84(5): 431-40.

Rodrigues L, Nicolato MFM, Vilela MRSP. Estudo da prevalência dos critérios clínicos para a síndrome metabólica em bombeiros militares de um batalhão da Região Centro-Sul de Belo Horizonte. e-Scientia. 2012; 5(1): 31-38.

Canabarro LK, Rombaldi AJ. Risco de sobrepeso e obesidade em soldados do corpo de bombeiros. Pensar a Prática [internet] 2010; 13(3). Disponível em: doi: 10.5216/rpp.v13i3.10169.

Souza TF, Ferreira WM, dos Santos SFS, Fonseca AS. Capacidade para o trabalho e aptidão física em bombeiros militares. Revista de Saúde e Pesquisa. 2012;5(2): 310-8.

Marcelino C, Simão R, Guimarães R, Salles BF, Spineti J. Correlação entre as capacidades físicas básicas e o índice de capacidade de trabalho em bombeiros do estado do Rio de Janeiro. Revista de Educação Física. 2009; 144(1): 36-44

De Carli AG, Oliveira RS. Efeito do uso dos equipamentos de proteção individual e respiratória sobre o vo2 máx. dos integrantes do 16º grupamento de bombeiros da polícia militar do estado de São Paulo. Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício. 2012; 6(35): 501-505.

Vidotti HGM, Coelho VHM, Bertoncello D, Walsh IAP de. Qualidade de vida e capacidade para o trabalho de bombeiros. Fisioterapia e Pesquisa. 2015; 22(3): 231–8.

Mourão PJM, Gonçalves FJM. A Avaliação da Resistência: Efeitos da aplicação de um programa de treino na aptidão cárdio-respiratória numa corporação de bombeiros profissionais. Motricidade. 2008; 4(4): 05-11.

Davini R, Nunes CV. Alterações no sistema neuromuscular decorrentes do envelhecimento e o papel do exercício físico na manutenção da força muscular em indivíduos idosos. Revista Brasileira de Fisioterapia. 2003; 7(3): 201-7.

American College of Sports Medicine. A quantidade e o tipo recomendados de exercícios para o desenvolvimento e a manutenção da aptidão cardiorrespiratória e muscular em adultos saudáveis. Revista Brasileira de Medicina do Esporte. 1998; 4(3): 96–106.

Dias RMR, Cyrino ES, Salvador EP, Nakamura FY, Pina FLC, Oliveira AR de. Impacto de oito semanas de treinamento com pesos sobre a força muscular de homens e mulheres. Revista Brasileira de Medicina do Esporte. 2005; 11(4): 224–8.

Matsudo SM, Matsudo VKR, Barros Neto TL. Efeitos benéficos da atividade física na aptidão física e saúde mental durante o processo de envelhecimento. Revista Brasileira de Atividade Física e Saúde. 2000;5(2): 60-76.

Scheffer MLC, Pilatti LA, Kovaleski JL. Qualidade Vida e Atividade Física na Literatura. Espacios. 2015; 36(03): 7.

Nunomura M, Teixeira LAC, Caruso MRF. Nível de estresse em adultos após 12 meses de prática regular da atividade física. Revista Mackenzie de Educação Física e Esporte. 2004; 3(3): 125–134.

Werneck FZ, Filho MGB, Ribeiro LCS. Efeitos do exercício físico sobre os estados de humor: uma revisão. Revista Brasileira de Psicologia do Esporte e do Exercício. 2006; 0: 22-54.

Perez AJ. Efeitos de diferentes modelos de periodizacao do treinamento aerobio sobre parametros cardiovasculares, metabolicos e composicao corporal de bombeiros militares. Revista Brasileira de Educação Física e Esporte. 2013; 27(3):363–76.

Lima SPR, Navarro F, Viana VAR. O teste de aptidão física para os bombeiros Militares da ativa, sem restrições médicas, do corpo de bombeiros militar do Distrito Federal. Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício. 2008; 2(8): 158-176.

Endereço: http://177.38.96.106/index.php/revista/article/view/508

Comentários


:-)





© 1996-2019 Centro Esportivo Virtual - CEV.
O material veiculado neste site poderá ser livremente distribuído para fins não comerciais, segundo os termos da licença da Creative Commons.