Para Um Desporto Centrado no Humanismo

Por: Helena Bento e Teresa Marinho.

XVI Congresso de Ciências do Desporto e Educação Física dos Países de Língua Portuguesa

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Resumo

Está na hora de nos tornarmos mais humanos. De afastarmos de nós a ânsia desmedida de poder, de vaidade, de reconhecimento bacoco e perverso. Está na hora de nos despojarmos de tudo o que não nos faz falta e de abrimos os braços à humildade, à solidariedade, ao humanismo. Cremos tal como Teixeira de Pascoaes (1993, p. 49) que “cada homem é potencialmente humanidade”. Por tanto, o que aqui nos une, nesta ágora do desporto e da vida, é a vontade de sublimação do homem nas suas mais diversas vertentes, conhecimentos e aceções. A dignidade humana deve ser sempre o nosso principal propósito, o nosso elevado preceito, a nossa intensa preocupação. Por isso a nossa palavra não cai no repouso do tinteiro, pelo contrário, a nossa palavra é encantamento e devoção. Ela toma forma através da pena que a ilumina e vai deslizando sobre as trevas da borra que a demência do mundo representa. A nossa palavra não se esconde do mundo. Não faz vénias à mentira e não se subjuga perante a miséria. Ela luta. É. Ama. Leva dentro de si uma manhã de primavera a latejar – límpida, clara, transparente. Sem mácula. Por isso com ela nos sentimos ousados e inspirados. E com ela percorreremos este nosso ensejo com o intuito de dar a conhecer a nossa inquietação perante a falta de humanismo que se vai entranhando, sorrateira e intensamente, na alma humana e que se estende por toda a parte. O desporto parece não escapar a este desígnio. Estamos olvidados da sua real intenção e dos valores que com ele caminham lado a lado. Começa a ser premente uma reflexão, mais de cariz humanista e menos tecnicista, acerca do desporto, do homem e da vida. Intentaremos levar a cabo esta tarefa, abrindo o coração à poesia, seu esplendor e verdade; à filosofia, seu logos e veleidade; e à utopia, tendo como linha orientadora a seguinte afirmação de Paulo Freire (1992, p. 10): “prescindir da esperança na luta para melhorar o mundo, como se a luta se pudesse reduzir a atos calculados apenas, à pura cientificidade, é frívola ilusão”. E a nossa abertura à esperança comanda a vontade de nos transcendermos e aspirarmos a uma outra realidade existencial, que nos aproxima do pensamento de Fernando Savater (2011, p. 65) “e queremos também ser tratados como seres humanos, porque a humanidade é algo que depende em boa medida do que fazemos uns com os outros”. Levamos dentro de nós este ensinamento, na certeza de que é a ação lhana e plena que nos caracteriza como humanos. Posto isto, só nos resta fazer frente a tudo o que nos tolhe e reduz, sob pena de nos rendermos à imbecilidade e mediocridade que se entranha no sangue por comodismo, por ignorância ou mesmo por uma jactância sertaneja e falaz.

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