Particularidades da Organização do Contra-ataque no Andebol Português de Alto Rendimento

Por: Anna Volossovitch e Pedro Jorge.

X Congresso de Educação Física e Ciências do Desporto dos Países de Língua Portuguesa

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Resumo

Introdução e objectivos: O objectivo deste estudo consistiu em analisar a frequência de utilização do contra-ataque, definindo as características do seu desenvolvimento, pela selecção nacio-nal portuguesa sénior masculina de Andebol nos 17º e 18º Campeonatos do Mundo (França 2001 e Portugal 2003) e nos 4º e 5º Campeonatos da Europa (Croácia 2000 e Suécia 2002). Material e métodos: Relativamente à metodologia utilizada, esta-mos perante um estudo de caso, em que a amostra foi consti-tuída pelos 235 contra-ataques efectuados pela selecção portu-guesa, observados nos 26 jogos dos já referidos campeonatos, tendo sido utilizado para a recolha de dados o método de estu-do qualitativo - observação sistemática indirecta. Para o registo, quantificação e análise das sequências ofensivas foi utilizado o programa informático de análise de imagem, "SportsCode 3.1.6" para Macintosh. Após a análise descritiva dos dados pro-cedeu-se à análise inferencial recorrendo aos métodos não para-métricos: coeficiente de correlação de Spearman, teste de Kruskal-Wallis, teste de Mann-Whitney e teste do Qui-Quadrado em tabelas de contingência.
Principais resultados e conclusões:A análise dos resultados do pre-sente estudo demonstrou que a selecção portuguesa sénior masculina tem incrementado a sua dinâmica do jogo nos últimos quatro anos. Este facto pode ser confirmado pelo número médio de sequências ofensivas e contra-ataques por jogo (54,2 e 9,0, respectivamente). A percentagem de utilização do contra-ataque pela selecção de Portugal corresponde a 17% do total das sequências ofensivas. As acções de contra-ataque privilegia-ram formas de organização mais simples e directas, consequen-temente com um menor tempo de duração, prevalência dos contra-ataques com 4 e 5 segundos. Relacionado directamente com o facto anterior, encontrámos um reduzido número de passes efectuados, em que maioritariamente foi utilizado um ou dois passes. O número de jogadores envolvidos directamen-te no contra-ataque foi, na maioria das situações, dois ou três. A frequência de utilização do contra-ataque não diferiu con-soante o tempo de jogo decorrido. Naturalmente, o mesmo não sucedeu com a fase do processo defensivo no momento de início do contra-ataque, onde se verificou uma nítida supremacia da fase da defesa organizada, assim como com o sistema defen-sivo utilizado, onde o 5:1 predominou. A recuperação da posse de bola para dar início ao contra-ataque aconteceu preferencial-mente na área central mais próxima da área de baliza dos defensores, sendo esta recuperada fundamentalmente através da intercepção. A maior frequência de utilização do contra-ata-que foi registada, quando o conjunto português estava em van-tagem no marcador. Comparando a frequência de utilização do= contra-ataque nos quatro campeonatos observados, não foram detectadas diferenças estatisticamente significativas no número de contra-ataques realizados pela equipa nacional. No entanto, registou-se um maior número de contra-ataques no Mundial de 2003, com um valor médio por jogo de 11,4. Verificou-se ainda que a relevância do contra-ataque no processo ofensivo de Portugal não se distingue da média das selecções mais repre-sentativas a nível internacional, existindo no entanto algumas selecções claramente mais fortes neste domínio.

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