Performances e Performatividade: Negociações de Gênero e Sexualidade em Aulas de Educação Física

Por: Adriano Martins Rodrigues dos Passos,.

155 páginas. 2014 12/03/2014

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Resumo

Esta pesquisa trata das negociações de gênero e sexualidade em aulas de Educação Física no ambiente escolar. Nele, observei, descrevi e analisei como se dão as negociações fundamentadas em noções de masculinidade e feminilidade; como alunos e alunas reforçam e/ou contestam valores e normas relativas ao gênero; como as negociações de gênero e sexualidade podem produzir inclusões ou exclusões e como as masculinidades e feminilidades são performadas, vigiadas e avaliadas no cenário de uma Escola Estadual na cidade de Goiânia. Nessa premissa, procurei por enunciados prescritivos, normativos, normalizantes que poderiam ser explicitados ou dissimulados em documentos oficiais da escola, dentre eles o Projeto Político Pedagógico e o Regimento Escolar, bem como no cotidiano das aulas de Educação Física. Como referencial teórico e metodológico capaz de subsidiar a construção desse trabalho, lancei mão da análise do discurso de viés francês, tendo em Michel Foucault o guia para o entendimento da construção dos enunciados, discursos, atos de fala e subjetivação. Apropriei-me do conceito de performance apresentado por Richard Schechner que me instigou a ver o comportamento como resultado da ritualização de sons e gestos já ditos ou realizados anteriormente, onde o comportamento ao ser duplamente exercido, codificado e transmitido, seria visto como um comportamento restaurado. De Judith Butler, empreguei o conceito de performatividade que me permitiu compreender como as performances/interpelações fundantes, através de uma gama de repetições e subsídios sociais, instituem nos corpos de alunas e alunos os discursos que criam aquilo que nomeiam. Além das categorias e conceitos teórico-metodológicos expostos acima, esse trabalho se baseou nos apontamentos feitos pela pesquisadora Guacira Lopes Louro, a qual compreende que a escola como um locus capaz de influenciar e “pedagogizar” as relações de gênero e de sexualidade e Jocimar Daólio, no contexto da Educação Física, me ajudou a entender que o corpo e o movimento são resultados da cultura na qual estão imersos. Nessa direção, a cultura foi por mim vista como resultado das formações discursivas que, por apresentarem certo número de enunciados, com semelhança na dispersão, na escolha dos objetos, conceitos, temáticas e regularidades, influenciam os discursos das mais diferentes áreas a significar corpo, o movimento, a sexualidade e também o entendimento e a vivência de modelos de feminilidade e masculinidade. Como resultado essa dissertação concluiu que os documentos diretivos da escola analisada reverberam estratégias de poder que promovem a manutenção da hierarquia baseada nas relações entre os gêneros. Já as aulas de Educação Física demonstraram ser espaços que privilegiam arquétipos tidos como masculinos, entretanto, as exclusões, quando ocorreram, nem sempre tinham o sexo como fator principal. Dessa forma observou-se que as exclusões eram também ocasionadas por marcadores como habilidade, capacidades físicas, morfologia corporal, principalmente quando o conteúdo principal das aulas eram os esportes.

Endereço: https://repositorio.bc.ufg.br/tede/handle/tede/4686

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