Políticas Curriculares e a Produção do Corpo Infantil

Por: Maísa Ferreira e Mário Luiz Ferrari Nunes.

VI Congresso Sudeste de Ciências do Esporte

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Resumo

Desde os anos 1990, o currículo ganha centralidade no debate educacional. Está em jogo os mecanismos que produzirão o sujeito destes tempos em uma sociedade globalizada, que se afirma neoliberal. Não à toa, enfatiza-se a importância da produção de orientações curriculares, que visam garantir que as escolas transmitam o conhecimento necessário para a promoção das identidades almejadas. A infância não escapa disso. Decorre dessas forças a produção das diretrizes que determinarão as competências a ser ensinadas na educação infantil. Face a essas políticas, tem sido comum a cada gestão a produção de novos documentos curriculares a fim de dizer o que as crianças devem ser e saber fazer em determinada idade. Por meio de uma cartografia, esse trabalho analisa os discursos presentes nas Diretrizes Curriculares Básicas para a Educação Infantil (2013): um processo contínuo de reflexão e ação de Campinas (DCCEI), a fim de identificar os regimes de verdade que produzem e afirmam o corpo e as práticas corporais legitimadas para os infantis. Toma o ciclo de políticas, elaborado por Stephen Ball, como ferramenta de análise dos dados produzidos. Os resultados indicam a presença de discursos ambivalentes, que, por um lado, inventam e por isso reforçam a noção de criança como produtora de cultura e, por outro, sugere ações que conduzem os infantis a atuarem em acordo com a concepção dominante de cultura, limitando a experiência de si dos infantis a formas pré-determinadas de ver-se, narrar-se, expressar-se e governar-se. Considera que esses discursos ambivalentes decorrem dos processos de recontextualização, que em função das diferentes interpretações realizadas por sujeitos posicionados em situações políticas ou disciplinarmente especializadas, transformam o sentido do texto.

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