Politicas de Atividade Física Para Idosos em Instituição de Longa Permanência (resenha)

Por: Luiz Alberto Sepulveda Tourinho.

Revista Baiana de Educação Física - v.7 - n.2 - 2006

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Resumo

Este estudo teve como objetivo compreender as políticas de atividade física em uma Instituição de Longa Permanência para Idosos localizada na cidade de Salvador. Foi realizado um estudo de caso exploratório em um Centro Geriátrico que abriga 208 idosos e possui 120 colaboradores. Foram realizadas entrevistas semi-estruturadas com um representante da hierarquia, com o responsável pela programação e com dez idosos, escolhidos entre os que apresentaram uma capacidade funcional autônoma, sendo capazes de compreender as indagações e viabilizar as respostas. As entrevistas passaram por análise temática. 80% dos idosos eram mulheres. 84% dos idosos estavam acima dos 71 anos. Havia 56% de viúvos e 31% de solteiros. 52% dos idosos tinham até o primeiro grau completo. Apenas 29% exerceram atividade profissional antes do ingresso no Centro Geriátrico, 100% dentre estes em atividades que exigiam pouca qualificação. As razões que levaram os idosos a pararem no Centro Geriátrico abrangeram a perda de capacidade laborativa, escassa ou nenhuma oportunidade de emprego, rejeição por parte dos familiares, pobreza e doença. As atividades sistematizadas oferecidas pelo Centro aos residentes são puramente recreativas e à parte das atividades de adesão voluntária, os idosos são deixados à própria sorte. Não existe um programa de atividades físicas sistematizado, muito embora a atividade física possa retardar o declínio funcional, sob a alegação de que o idoso não aderiria ao mesmo. De fato, a não adesão do idoso decorre primeiramente da falta de compreensão do que é a atividade física e, em segundo lugar da representação que os entrevistados têm do idoso como alguém que não pode fazer esforço. A representação social do idoso apresentada pelos idosos reflete a existente na sociedade mais ampla que valoriza a juventude e vê a velhice como degradação. Apesar de não saberem definir o que seja atividade física, vários entrevistados vêem uma série de benefícios que ela pode trazer. Eles poderiam aderir se compreendessem os benefícios, em que consiste, ou seja, é uma questão de informação e conscientização. Outros adeririam se alguma figura de autoridade como o médico recomendasse. A adesão também poderia ocorrer se fosse desmistificada a questão de que o idoso não pode fazer esforço e precisa descansar. Poderia ser mostrado aos moradores que não há impedimentos para a realização de atividades físicas desde que adequadas à capacidade funcional deles. A principal recomendação é a construção de um programa sistematizado de atividade física que vá além do bem-estar físico, que seja capaz de promover também efeitos de qualidade sobre a dimensão psicológica.
 

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