Por Que o Jovem (não) Pratica Esporte?

Por: Ana Moser.

Carta na Escola - n.72 - 2013

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Resumo

A Educação Física e o esporte no Ensino Médio costumam ser territórios para poucos alunos. Depois de pelo menos oito anos vivendo o ambiente escolar, somente parte dos alunos desenvolve uma boa relação com as atividades motoras num grau suficiente para manter-se no esporte, envolvido com grupos que praticam alguma modalidade, seja na escola, seja fora dela. É muito mais fácil encontrar os jovens envolvidos em festas e noitadas, com os elementos de motivação correspondentes – bebida, azaração, modismos e tendências –, do que com a prática de esporte – em grupo ou individualmente.
 

No lazer, o jovem procura desafio, superação, diversão, consolidação das próprias habilidades, potenciais e relações com o meio e com os pares. Ser bom e reconhecido em alguma área, seja dançando, seja paquerando, a maneira que se veste, que se enfeita, o que faz e o que tem. No esporte o jovem pode também consolidar suas habilidades, se relacionar com o meio e com os pares, ser reconhecido e, principalmente, se divertir. Todos gostam de diversão, a escolha é qual tipo de lazer o jovem prefere: o da noitada ou o esportivo.
 

O que encontramos em boa parte dos casos é que os jovens preferem o lazer da noitada ao lazer esportivo. E por que o jovem do Ensino Médio pratica pouco esporte? Porque são poucos aqueles que conseguem aprender a fazer esporte na escola. Porque a Educação Física e o esporte da escola não são organizados de maneira a atingir um grande número dos alunos, desde o Ensino Fundamental I, passando pelo Fundamental II e piorando no Ensino Médio. E piora porque os alunos, já quase adultos, não se divertem se expondo em atividades em que não têm habilidades para tal. Quem sabe, faz esporte. Quem não sabe, não faz.
 

A cultura mais marcante é o esporte dos habilidosos. As atividades são organizadas de maneira a valorizar os com maior “talento” esportivo, enquanto os menos predispostos às atividades físicas são excluídos, colocados como não capazes, e perdem a chance de desenvolver as técnicas e táticas motoras, tanto para seu lazer e saúde quanto também nos aspectos cognitivo e social.
 

Para o esporte ser acessível e interessante, além de significativo, ele precisa ser adequado: os espaços, os materiais, a didática. Adequado ao nível de habilidade e motivação de cada grupo. Para motivar os não habilidosos a participar, as atividades motoras precisam ser acessíveis. Não bobas, mas simplificadas. Regras adaptadas, construídas pelos próprios participantes que precisam utilizar a mente e o espírito coletivo para realizar os jogos e atividades. E assim vão aprendendo e participando mais.
 

Para os mais habilidosos, haverá os momentos de jogar só com os melhores e outros para jogar com todos. Quando o habilidoso está entre os melhores, ele será a expressão máxima de qualidade do esporte praticado naquele espaço. Quando está jogando com todos em atividades adaptadas, o habilidoso estará enfrentando outros desafios cognitivos, sociais e até mesmo motores. Apoiando colegas menos habilidosos a praticar esporte e se beneficiar disso

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