Praça de Bolso do Ciclista de Curitiba/pr: Idealização, Cotidiano e o Uso da Bicicleta Como Forma de Contestação

Por: Daniella Tschöke Santana.

Licere - v.19 - n.1 - 2016

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Resumo

Esta pesquisa tematiza um espaço público localizado na cidade de Curitiba/PR, a Praça de Bolso do Ciclista (PBC). A praça é “de bolso”, pois apresenta 127m² de área e é também designada “do ciclista”, pois foi idealizada por um grupo de cicloativistas da cidade, grande parte integrantes da Associação de Ciclistas do Alto Iguaçu (CicloIguaçu). Sendo assim, esta pesquisa teve como objetivo elucidar os processos que envolveram a implementação da Praça de Bolso do Ciclista, buscando desvendar igualmente as formas de apropriação da praça e sua relação com as experiências no âmbito do lazer. Trata-se de um estudo de caso de cunho qualitativo que pretendeu: (1) caracterizar o processo de planejamento e construção da Praça de Bolso do Ciclista em Curitiba; (2) verificar a relação entre poder público e sociedade civil no processo de implementação da PBC; (3) analisar as formas de apropriação da PBC por seus usuários, com o intuito de verificar quem dela se apropria, como o fazem, em quais momentos; (4) apontar os possíveis impactos da sua construção para a região do entorno, a partir das experiências de lazer na cidade, com enfoque nas práticas corporais. Foram utilizados como instrumentos metodológicos: documentos de diversas fontes, observações registradas em diário de campo, registros fotográficos e entrevistas semi-estruturadas. Os dados advindos das diferentes fontes e métodos foram reunidos, sistematizados e triangulados. Destaca-se que a PBC foi fruto de uma parceria entre poder público e comunidade, representada pela CicloIguaçu. O poder público esteve aberto ao diálogo, ajudou no projeto inicial e disponibilizou parte dos materiais, mas a praça foi construída pela própria comunidade em regime de mutirões, que aconteceram nos finais de semana e duraram cerca de cinco meses. Suas formas de apropriação vêm se mostrado controversas, pois ao mesmo tempo em que abriga atividades culturais e de lazer diversificadas, é palco de ações de depredação, de consumo exacerbado de bebidas alcoólicas e de realização de práticas ilícitas, como o tráfico de drogas. A PBC gerou impactos para a região do entorno, principalmente atraindo mais pessoas a circular pelo local. Com todas as controvérsias decorrentes das suas formas de apropriação, a construção da PBC foi um movimento que concretizou uma possibilidade do reviver a e na cidade. Mais do que a objetiva construção deste espaço de lazer, a iniciativa da implementação da PBC está imbuída de valores agregados, tais como evidenciar a importância dos ciclistas e dos benefícios trazidos pela locomoção por bicicleta, mas também promover a intensificação do seu uso e alertar para a segurança necessária no trânsito, romper com a individualização crescente a partir da dimensão comunitária e seu agir efetivo; chamar a atenção para a humanização e democratização da cidade. A prática corporal do uso da bicicleta influencia a percepção do meio urbano pelo ciclista, a partir de uma maior sensibilidade ao ambiente da cidade. Foi, nesse caso, o “vetor” que alavancou o movimento de idealização e construção da PBC, considerado uma ação no âmbito do lazer enquanto prática de liberdade.

Endereço: https://seer.ufmg.br/index.php/licere/article/view/1542

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