Preconceito e Discriminação na Educação Física: o Profissional Obeso

Por: Ana Paula Xavier Ladeira e Elisabete dos Santos Freire.

XI Congresso de Educação Física e Ciências do Desporto dos Países de Língua Portuguesa

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Resumo

Ainda hoje o profissional de Educação Física é avaliado por sua aparência e
desempenho em atividades físicas. Consequentemente, os profissionais que estão
acima do peso ou são obesos, muitas vezes, são vítimas de preconceito e discriminação.
O objetivo deste trabalho foi verificar quais as formas de discriminação sofridas
pelos profissionais que estão com sobrepeso e obesos e como eles lidam com essa
discriminação. Participaram da pesquisa 6 profissionais de Educação Física, todos
do sexo masculino com média de idade de 36,8 anos e que têm como área de
intervenção academias e universidades. Os dados foram coletados em entrevistas
semi-estruturadas e submetidos à análise de conteúdo. Dos 6 entrevistados apenas
2 afirmaram ter sofrido, explicitamente, alguma forma de discriminação, aparecendo
na entrevista de emprego e na atuação na área de academias. Assim, um dos
entrevistados não foi aceito na academia por sua condição corporal, sendo sua
competência profissional totalmente desconsiderada nesta seleção. No segundo caso
os alunos e funcionários de início demonstravam não dar credibilidade ao trabalho
do profissional. Embora apenas 2 entrevistados acreditem ter sofrido discriminação,
todos afirmaram que brincadeiras a respeito da forma física sempre foram freqüentes
no ambiente de trabalho. Uma forma encontrada por eles para superar essa
discriminação é não levar a sério essas situações e provar sua competência no trabalho
realizado. O sentimento de culpa aparece em vários momentos, diretamente
relacionado com a alimentação, ou seja, eles acreditam que o excesso de peso é
responsabilidade individual, que aparece por apresentarem hábitos alimentarem
inadequados e, para aliviar esse sentimento, acabam valorizando o conhecimento
que possuem. Alguns deles acreditam ainda não terem sofrido a discriminação
propriamente dita por não trabalharem em áreas onde a forma física seja o principal
foco e acreditam também que se tentassem trabalhar nessas áreas não seriam aceitos
ou sofreriam preconceito. Desta forma, podemos concluir que, neste grupo estudado,
preconceito e discriminação estão presentes, aparecendo por vezes de forma direta,
mas principalmente de forma indireta ou sutil. Por isso mesmo, podem passar
despercebido pelos profissionais, que não consideram a discriminação como um
grande obstáculo em suas carreiras.

Endereço: http://citrus.uspnet.usp.br/eef/uploads/arquivo/78_Anais_p447.pdf

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