Preconceito Racial em Curso de Licenciatura em Educação Física: Um Estudo a Partir da Visão Discente

Por: Irene C. Andrade Rangel.

57ª Reunião Anual da SBPC

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INTRODUÇÃO:

Embora existente há muitos anos, a aceitação de que no Brasil há preconceito racial é ainda um tema polêmico. Entretanto, as discussões sobre este fato tornam-se cada vez mais importantes no meio educacional, uma vez que a escola é uma das entidades sociais em que o preconceito e a discriminação deveriam ser objetos de repulsa e onde as diferenças deveriam ser valorizadas, bem como servir para propiciar maior conhecimento e entrosamento entre os seres humanos. Objetivo: verificar, na opinião de alunos negros de curso superior em Educação Física, se sofreram algum tipo de preconceito e/ou discriminação racial durante os anos de graduação e quais suas opiniões sobre este tema.

METODOLOGIA:

Trata-se de uma pesquisa qualitativa, sendo aplicados questionários a quatro alunos pertencentes ao curso de Licenciatura em Educação Física da UNESP- Campus de Rio Claro, sendo um do sexo masculino e três do sexo feminino. As respostas foram analisadas e interpretadas, utilizando-se o referencial teórico ligado ao preconceito racial, obtendo-se os seguintes resultados:

RESULTADOS:

a) os alunos não sentiram em nenhum momento da graduação algum tipo de preconceito ou discriminação por parte de seus colegas ou professores, embora descrevessem discriminações por parte de outros integrantes da comunidade b) entendem que há maior dificuldade dos negros ingressarem em curso superior, principalmente em uma instituição pública, fato confirmado pelo pequeno número de alunos que pertencem ao curso c) acreditam que o tema é relevante e deveria ser melhor observado na UNESP, embora não tenham se referido à cotas d) entendem que, pelo fato dos negros saírem-se bem nos esportes, têm mais acesso aos cursos de Educação Física e) salientaram que o preconceito racial no Brasil existe, porém é encoberto ou "disfarçado".

CONCLUSÕES:

Conclui-se que, embora os alunos pesquisados não tenham sido alvo de preconceito ou discriminação por parte de alunos não-negros e professores, em suas opiniões o racismo existe de forma velada no Brasil e, chegar a uma universidade, principalmente pública, foi um desafio vencido por eles. No caso de alunos de Licenciatura em Educação Física este acesso pode ser melhor entendido se observado pela lógica do esporte, que parece fortalecer o vínculo do esportista negro. Sugerem um aprofundamento no tema, por entenderem que a discriminação e o preconceito existe na universidade e necessita ser estudado.

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