Prevalência de Tempo de Tela Excessivo e Fatores Correlatos em Escolares Brasileiros

Por: , Hélcio Rossi Gonçalves e Robson Antônio Desiderá.

Revista Brasileira de Atividade Física & Saúde - v.23 - n.1 - 2018

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Resumo

O objetivo do estudo foi identificar a exposição ao tempo de tela excessivo, mediante o uso de TV e de outros dispositivos de tela, incluindo computador, videogame, tablet e smartphone, e analisar correlatos demográficos, comportamentais e antropométricos associados. Trata-se de estudo epidemiológico transversal de base escolar, com aproximadamente 17 mil escolares de 4 a 20 anos que participaram do Projeto Paraná Saudável em 2014. Foram realizadas medidas antropométricas e aplicado questionário com questões estruturadas para levantar as informações. Tempo de tela excessivo foi definido pelo uso combinado de TV e outros dispositivos de tela por tempo > 2 horas/dia. Os dados foram tratados estatisticamente mediante análise bivariada e regressão múltipla hierarquizada. Prevalência global de tempo de tela excessivo foi de 70,4% (IC95%: 68,1–72,9). Análise multivariada apontou associação significativa entre tempo de tela excessivo e idade (OR = 1,92; IC95%: 1,60–2,33), classe econômica (OR = 2,48; IC95%: 1,99–3,17), escolaridade materna (OR = 1,98; 95%CI: 1,57–2,68), área de moradia (OR = 1.26; IC95%: 1.04–1.56) e urbanização (OR = 2,94; IC95%: 2,41–3,75). Entre fatores comportamentais, menor prática de atividade física (OR = 1,42; IC95%: 1,25–1,85), baixo consumo de frutas/hortaliças (OR = 2,89; IC95%: 2,25–3,70), elevado consumo de produtos açucarados/refrigerantes (OR = 2,07; IC95%: 1,63–2,70) e menos horas de sono (OR = 2,01; IC95%: 1,60–2,62) se mostraram independentemente associados ao tempo de tela excessivo. Da mesma forma, excesso de peso corporal (OR = 1,81; IC95%: 1,35–2,51) e gordura abdominal (OR = 2,01; IC95%: 1,62–2,73) apresentaram associações significativas com o desfecho. Concluindo, achados do estudo sugerem que políticas e intervenções destinadas aos programas de educação em saúde nos contextos escolar e familiar devam incluir componentes que se concentram na redução do tempo de tela excessivo.

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Endereço: http://www.rbafs.org.br/RBAFS/article/view/11981

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