Projeto Minotauro: Abordagem Terapêutica do Sistema Biodança.

Por: Rolando Toro.

166 páginas. Vozes. 1988

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Sobre a Obra

SAINDO DO LABIRINTO
por Fátima Rodrigues Graziottin - fatimagraziottin@gmail.com

"O labirinto tem mil portas, podemos entrar e sair, visitar o caos e regressar ao poderoso mundo de energia vital."
Rolando Toro

O PROJETO MINOTAURO é uma abordagem terapêutica do Sistema BIODANZA (ou Biodança), que tem como objetivo restabelecer os vínculos de nutrição com a vida. É uma metodologia onde se trabalha a identidade. Nossa identidade é caracterizada pelo conjunto de nossos instintos básicos. O Projeto Minotauro propõe uma tomada de contato com nossos instintos, com a força do primordial que existe dentro de nós.

Utiliza-se de um mito da Grécia Antiga, o mito "TESEU e o MINOTAURO".

A proposta é criar condições para cada "viajante" percorrer seu caminho interior através do despertar dos instintos, num caminhar pelo labirinto de sua existência, segurando o sutil e poderoso fio de Ariadne para guiar sua viagem ao encontro da felicidade do ser.

O LABIRINTO é uma metáfora arquetípica, pois representa a nossa existência povoada de dúvidas, medos e enigmas. O MINOTAURO é, ao mesmo tempo, a força dos instintos primordiais e a inocência da natureza.

Assim, neste projeto, propõe-se um contato íntimo com as forças internas - propiciadas pelo potencial genético - para lidar corajosamente com os desafios do labirinto da vida. Nesse sentido, o foco principal está na coragem. Por outro lado, as dúvidas, que nos amedrontam, apenas sinalizam regiões do nosso comportamento que demandariam disposições mais intensas para a ação.

Os desafios da vida podem ser simbolicamente representados por medos. O medo, originalmente, é uma resposta instintiva, é um mecanismo de sobrevivência. Mas os medos não instintivos, ou seja, os medos aprendidos, são culturais, isto é, vêm com a aprendizagem; são medos que aprendemos a partir de proibições, de mandatos repressivos, de crenças que nos são oferecidas, desde nossa infância: mecanismos de sobrevivência social. Esses mecanismos, porém, podem bloquear nosso desenvolvimento como seres humanos completos, integrados e harmônicos.

Dessa forma, quando falamos em medos no Projeto Minotauro, estamos nos referindo às dificuldades que queremos superar e que, no fundo, representam um certo desafio para o desenvolvimento pessoal, pois requerem que cada pessoa seja o protagonista de sua própria existência e não um agente passivo em relação ao seu ambiente externo. Para isso, é importante desenvolver sua vontade e disposição para superar a "desordem interna" que se sente diante de dificuldades e medos. Quando superamos nossos medos, as fantasias inconscientes, os desejos e repressões que ameaçam nossa identidade, readquirimos a autonomia e a autosuficiência, assim como fluimos mais natural e harmoniosamente com os outros, com a natureza e com o cosmos.

Dito isso, gostaria de falar um pouco mais sobre o Projeto Minotauro, vivencialmente...

Participar desse projeto é sempre angustiante, sofrido, mas também muito prazeroso, estimulante, produtivo, regenerador e, principalmente, curativo! A partir do momento que decidimos empreender essa viagem arquetípica, nos dispomos a mais uma vez nos colocarmos, cara a cara, com a (doce?!?) besta... O tempo de espera, não saber exatamente quando acontecerá o nosso encontro com o nosso minotauro interior, é angustiante... Às vezes, nos deparamos com ele logo de início, na porta do labirinto! Noutras... andamos e andamos... e damos voltas e mais voltas... para finalmente percebê-lo, sentí-lo e finalmente enfrentá-lo!

Algumas vezes, vamos entrando em contato com ele aos pouquinhos, quase sem nos darmos conta, através dos desafios dos nossos colegas que também estão entrando no labirinto e na caminhada que estamos iniciando em conjunto! Somos afortunados por termos quem nos acompanhe na caminhada pelo labirinto!

Assim como o herói Teseu teve o apoio e o suporte de Ariadne através do "fio condutor", nós, os heróis e heroínas atuais, temos o grupo... e cada um de nossos companheiros de jornada! Isso, é muito confortante e nos dá segurança e coragem para enfrentarmos a "fera"!

Contudo, creio que nossa tarefa contemporânea seja ainda mais difícil que a de Teseu: não podemos e não devemos matar a besta, mas sim, identificá-la em toda sua bestialidade... conhecê-la, desafiá-la, enfrentá-la, integrá-la e... fazer as pazes com ela, transcendendo-a e ultrapassando os limites e as barreiras do medo! É quase uma "tarefa para Hércules"! Porém, o sabor da vitória e a horripilante beleza da vivência, compensam o sacrifício!

Através do enfrentamento do nosso minotauro interior, podemos compreender profundamente diversos paradoxos. Aqui, "paradoxo" não tem conotação de "contrasenso", mas sim de "opostos complementares" e "verdades inquestionáveis". Enfrentando a fera, descobrimos que a beleza está intrínseca na bestialidade. Que inocência e pureza também contêm o bestial e o "proibido".

Vivenciamos e compreendemos profundamente que, no mais horrível dos "sapos", podemos encontrar uma "linda princesa" ou um "lindo príncipe"! E lá, no final da caminhada pelo labirinto, após resistirmos, nos debatermos fortemente, para somente, então, cedermos aos apelos da besta, encontramos nossa CRIANÇA DIVINA de mãos dadas, tranqüila e em PAZ com o "monstro" de nossos instintos, o qual já não é mais "monstro", mas sim, pura INOCÊNCIA, ALEGRIA e BELEZA!

Conhecer mais a si e ao outro através dos medos, nos deixa extremamente vulneráveis e frágeis... Porém, é através dessa vulnerabilidade e fragilidade que surgem e emergem nossa FORÇA e nossa HUMANIDADE! E essa transformação e transmutação, é algo indescritível!

Ao vivenciarmos o desafio do encontro com nossa besta interior, compreendemos a experiência do luminoso, da transcendência, da transformação, da transmutação, da regeneração e da cura! Cura, no mais amplo e mais profundo sentido! Quando ultrapassamos a barreira do medo, o que encontramos é o nosso EU, resplandescendo na sua perfeita, harmônica e bela imperfeição!

Assim como Picasso retratou o mito em várias obras suas, podemos sair do labirinto como crianças inocentes de mãos dadas com o minotauro ou até nos deixarmos velar por ele, reconhecendo a força, o poder, a natureza e a maravilha dos nossos instintos!

Fora do labirinto novamente, podemos respirar e saborear a vitória e perceber mais fortemente, com todos os sentidos, a beleza da vida e do instante vivido intensamente!

Essa "viagem interior" certamente vale a pena!

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