Putas, Escravos e Garanhões: Linguagens de Exploração e de Acomodação Entre Boxeadores Profissionais

Por: Loïc Wacquant.

Mana. Estudos de Antropologia Social - v.6 - n.2 - 2000

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Resumo

Este artigo se baseia em trabalho de campo em uma academia de boxe localizada no gueto negro de Chicago. Busca explicar como os lutadores profissionais percebem e expressam o fato de serem mercadorias vivas, e como se reconciliam praticamente com uma impiedosa exploração, de maneira a conseguir manter um senso de integridade pessoal e de finalidade moral. A experiência que o boxeador tem da exploração do seu corpo é expressa através de três idiomas aparentados, o da prostituição, o da escravidão e o da criação animal. Esses três tropos enunciam a comercialização imoral de corpos. Mas essa consciência é neutralizada pela crença na normalidade da exploração, na "capacidade de ação" do empresariamento dos corpos e na possibilidade de casos individuais excepcionais. Essa crença, inscrita nas disposições corporais do lutador, ajuda a produzir o equívoco coletivo de reconhecimento através do qual os boxeadores se tornam cúmplices de sua própria comercialização.

Endereço: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132000000200005&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt

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