Reforma Universitária e a Usp: a Integração da Escola de Educação Física em 1969
Por: José Roberto Gnecco
XI Congresso de Ciências do Desporto e EF dos Países de Língua Portuguesa.
Resumo
Trata-se de pesquisa empírica utilizando fontes textuais e orais com o objetivo de
perceber os diversos fatores que propiciaram a integração da Escola de Educação
Física do Estado de São Paulo à Universidade de São Paulo em 1969. O então
diretor da Escola creditou a integração como conseqüência do decreto-lei da própria
Presidência militar da República que estabelecia "será obrigatória a prática da educação
física em todos os níveis e ramos de escolarização, com predominância esportiva no
ensino superior", outorgado cinco meses antes do decreto-lei estadual da integração.
A integração poderia ser associada à ascensão da educação física a razão de Estado
durante o período ditatorial, assim como à cassação pelo AI-5 do ocupante da
Reitoria da USP, sete meses antes. Este trabalho refuta a redução da integração da
Escola à USP a estas hipóteses. Constata que desde 1935 a USP pretendia possuir
um setor esportivo na Cidade Universitária e nele instalaria a Escola de Educação
Física. Por sua vez, desde o início de suas atividades no Departamento de Educação
Física do Estado em 1934, a Escola sempre procurou uma sede própria, objetivando
não mais se fixar provisoriamente em instalações esportivas públicas ou privadas.
Em 1967, o Governo do Estado criou um órgão para coordenar os Institutos
Isolados de Ensino Superior (CASES) - onde então se inseria a Escola - definindo
a instalação da Escola de Educação Física na Cidade Universitária como medida de
racionalização administrativa. No entanto, o início da integração da Escola como
Unidade Universitária na USP só foi possível em 1968 pela conjunção de uma série
de condições, dentre elas a necessidade de expansão de vagas da Universidade no
bojo das Reformas Universitárias federal e estadual, a mudança da correlação de
forças dentro do Conselho Universitário da USP quando da nomeação de um vicereitor academicamente progressista no exercício da Reitoria e o acaso do coordenador
da CASES ser membro do Conselho Universitário. Como condições coadjuvantes
para a integração e a rapidez de sua aprovação, tem-se o acirramento do movimento
estudantil e da resistência armada ao regime, acelerando a Reforma, e a adoção do
modelo norte-americano de campus universitário. O cerne da integração da Escola
à USP ocorreu anteriormente à outorga do decreto-lei federal da obrigatoriedade,
quando da aprovação da integração pelo Conselho Universitário da USP dentro do
processo desencadeado para a Reestruturação desta Universidade
Endereço: http://citrus.uspnet.usp.br/eef/uploads/arquivo/78_Anais_p447.pdf
Tags: Cplp11, Educação Física, Escola
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