Remuneração Por Desempenho no Futebol Brasileiro: Uma Análise Cultural Sob a Perspectiva dos Executivos

Por: Rafael Luis Pessin.

146 páginas. 2017 19/12/2017

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Resumo

Nos últimos anos, a prática de remuneração por desempenho (RPD) tem despertado particular interesse dos clubes brasileiros de futebol e relativo destaque na mídia especializada do país. Inspirada nos modelos de remuneração executiva e motivada pelos cases de sucesso do futebol europeu, a RPD foi adotada no Brasil como forma de mitigar problemas econômico-financeiros e esportivos. No entanto, embora considerada uma solução viável e até mesmo adequada para muitas organizações e clubes pelo mundo, a sua adoção no país tem sofrido resistência. Apoiado neste problema, o presente estudo questionou a extensão na qual a RPD estaria efetivamente adequada aos clubes e atletas brasileiros. Para isto, buscou analisar se a estrutura da remuneração por desempenho no futebol brasileiro é consistente com os valores da cultura nacional. Cinco proposições teóricas foram desenvolvidas para nortear as discussões, sendo estas examinadas através de uma abordagem integrativa mediante a combinação de métodos quantitativos e qualitativos. Na etapa quantitativa, um levantamento (survey) de caráter exploratório foi efetivado com executivos de futebol afiliados a Associação Brasileira de Executivos de Futebol (ABEX). Na etapa qualitativa, quatro entrevistas foram realizadas como forma de aprofundar os resultados. As evidências possibilitaram a confirmação efetiva de apenas duas das cinco proposições. Apesar disto sugerir a suposta inadequação da prática, os elementos conflitantes aos valores brasileiros puderam ser justificados de um ponto de vista cultural. Os clubes parecem ter ajustado os diferentes componentes que integram a RPD aos valores culturais do país. Logo, inferiu-se estar adequada a prática ao futebol brasileiro. Especial destaque pode ser dado às remunerações individuais. Incentivos baseados em metas de atuação, embora de cunho individual, parecem reforçar os valores culturais do país, enquanto incentivos baseados em ações individuais (gols e assistências), apesar de amplamente utilizados no futebol europeu, contrariam os valores brasileiros. Duas reflexões foram sugeridas a partir destas conclusões. Primeiramente, as resistências inicialmente mencionadas não aparentam estar vinculadas à RPD, mas sim, a sua estruturação a partir das ações individuais dos jogadores. Em segundo lugar, diferenças culturais ensejam diferenças nas práticas de gestão.

Endereço: http://www.repositorio.jesuita.org.br/handle/UNISINOS/6929

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