Reposição Hídrica e Gasto Energético do árbitro de Futebol no Transcorrer da Partida

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2008 11/02/2008

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Resumo

Um estado nutricional adequado é fundamental para uma performance física ótima. Entre os parâmetros que merecem maior atenção, encontra-se o estado de hidratação.  O objetivo geral deste trabalho foi avaliar o grau de desidratação, a performance física e o gasto energético do árbitro de futebol durante partidas oficiais, e observar se a reidratação espontânea (ad libitum) ou com quantidades pré-determinadas de líquidos (água mineral ou um repositor hidroeletrolítico) interfere nestas variáveis. Para tanto, foram avaliados 10 árbitros de futebol do sexo masculino, idade média de 38,9 ± 3,8 anos, massa corporal de 86,1 ± 7,1 kg e altura de 180,1 ± 7 cm. Eram todos credenciados pela Comissão de Arbitragem da Federação Paranaense de Futebol e atuaram durante o Campeonato Paranaense de 2005 e 2006. Todos eram voluntários e assinaram um termo de consentimento, cumprindo com as exigências do Comitê de Ética do Hospital das Clínicas – Universidade Federal do Paraná. Cada árbitro foi avaliado em três partidas consecutivas, na primeira se reidratou ad libitum, na segunda recebeu um volume pré-determinado de água mineral, e na última o mesmo volume mais na forma de um repositor hidroeletrolítico isotônico. A perda total de água no organismo foi determinada a partir da mudança observada no peso corporal, considerando-se os valores do peso inicial, peso final, diurese, e do líquido ingerido pelo indivíduo durante o intervalo da partida. Para a determinação do gasto energético os árbitros foram filmados durante as partidas. A observação das fitas permitiu cronometrar os tempos em que os árbitros permaneceram em cada ação motora. Para a estimativa do gasto energético determinou-se o consumo de oxigênio por equações matemáticas, ou seja, método duplamente indireto. Foram avaliados, ainda, o perfil antropométrico e o nível de condicionamento físico dos árbitros. Nos dias das partidas, a temperatura ambiente média foi de 23,2 ± 3,1 C, e a umidade relativa do ar era de 67,3 ± 18,7%. A perda total de água corporal na primeira partida foi de 2,10 ± 0,57 litros, o que equivale a 2,44 ± 0,53% do seu peso corporal inicial. Esta percentagem foi reduzida de forma estatisticamente significativa pela reidratação com água mineral e com o repositor hidroeletrolítico isotônico (p < 0,05). A taxa de sudorese observada na primeira partida (1,16  0,34 L/h) foi significativamente reduzida pela ingestão de um volume pré-determinado da solução hidroeletrolítica isotônica (0,72  0,39 L/h). O consumo energético médio do árbitro é de 734,7 ± 65 kcal, para uma distância de 9155,47 ± 379 metros, percorridos no transcorrer da partida, não havendo diferença estatisticamente significativa entre o gasto energético e a distância total percorrida pelo árbitro em cada etapa do estudo, (p > 0,05). A atividade física desse profissional durante o jogo pode ser classificada como de intensidade moderada, pois em 67% do tempo total da partida o consumo de O2 é igual ou inferior a 13,25 mL.kg-1.min-1, o que corresponde a 3,8 METs. Os dados do presente trabalho indicam que a ingestão de volumes pré-determinados de fluidos, em especial a solução isotônica, antes e durante o intervalo da partida, foram capazes de reduzir significativamente as perdas de fluidos corporais dos árbitros, ou seja, quando o árbitro é hidratado com um repositor hidroeletrolítico ele anula fortemente a possibilidade de ter sua performance durante o jogo prejudicada em decorrência de fatores relacionados com a desidratação. 

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