Representações das Montanhistas a Partir da Imprensa Carioca na Transição do Século XIX Para o Século XX

Por: Manna Nunes Maia e Tauan Nunes Maia.

XV Congresso de História do Esporte, Lazer e Educação Física - CHELEF

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Resumo

Na transição do século XIX para o século XX, no Rio de Janeiro, a mulher tornou-se mais participava na vida pública da cidade. Essa mudança se deu em virtude de inúmeros fatores, dentre eles as lutas mobilizadas por mulheres que buscavam maior participação social e outras conquistas, como o direito ao voto, o acesso à educação superior e a participação no mercado de trabalho. Neste sentido, em meio à modernização e urbanização do país, passava-se por profundas transformações, inclusive, na forma de se pensar os papéis da mulher dentro da sociedade. Como parte destes processos destacam-se as transformações quanto aos divertimentos e às atividades de lazer. Elas passaram a ser cada vez mais valorizadas. Pode-se observar o surgimento de espaços para danças, a fundação de clubes esportivos e a expansão dos grupos circenses. Elas eram voltadas, majoritariamente, para o público masculino, enquanto as mulheres, em geral, só podiam participar ou frequentá-los se acompanhadas por seus maridos, o que tinha relação com o pensamento da época e, por conseguinte, com os papeis sociais atribuídos a homens e mulheres. A difusão desse pensamento requeria, de forma constante, intervenções disciplinares lideradas por “agentes de normalização”. Dentre esses agentes que produziam e reproduziam tais ideias estavam médicos, juristas, agentes do Estado, a Igreja e, também, a imprensa. O esporte, por muito tempo, reforçou esse pensamento e, portanto, as distinções entre homens e mulheres. Apesar disso, em meio ao reordenamento dos divertimentos as atividades e os espaços de lazer passaram a contar, lentamente, com a presença feminina, principalmente como expectadoras, e, em alguns casos, como participante. Assim, se, antes, as atividades e os espaços de lazer e de diversão eram, predominantemente, masculinos, com o passar dos anos, as mulheres foram ampliando sua participação nas referidas atividades e espaços. Objetivo: Investigar como aquelas mulheres que praticavam o montanhismo eram representadas na imprensa carioca na transição do século XIX para o XX. Metodologia: Este estudo analisou as representações das montanhistas a partir da imprensa carioca na transição do século XIX para o século XX. Na pesquisa no portal da hemeroteca digital, da Biblioteca Nacional. Principais conclusões: O presente trabalho evidenciou que o aumento no número de notícias que retratavam as mulheres que praticavam o montanhismo possuía relação direta com as novas formas de sociabilidade presentes no cenário do Rio de Janeiro. A divulgação do montanhismo como uma prática de lazer prazerosas e apaixonante contribuiu para forjar novas imagens à mulher, seja em função da prática em si ou dos valores e atributos físicos associados às montanhistas, que deveriam ou tinham certo padrão de beleza e de civilidade. Além disso, conclui-se que o montanhismo também pode ser enxergado enquanto uma ferramenta de luta e afirmação das mulheres naquele tempo-espaço.

Referências
ADELMAN, Miriam. Mulheres no esporte: corporalidades e subjetividades. Movimento. V.12 n.01, 2006, p.11-29.
COSTA, Jurandir Freire. Ordem médica e norma familiar. Rio de Janeiro: Edições Graal, 3. Ed, 1989, p.282.
DUARTE, Constância Lima. Femininsmo e literatura no Brasil. Estudos avançados. V.17 n.49, 2003, p.151-172.
DEL PRIORE, Mary; BASSANEZI, Carla. História das mulheres no Brasil. 4. Ed. São Paulo: Contexto, 2001, p.678.
MELO, Victor Andrade de; Peres, Fábio de Faria. A gymnastica no tempo do Império. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2014, p. 205.

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