Resistência e Acomodação na Educação Física: Um Estudo de Caso no Ensino Superior Brasileiro

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I Congresso internacional de Educação Física de Países de Língua Portuguesa

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Resumo

O estudo teve como objetivos: (a) relacionar o desporto universitário com os contextos político, económico, social e educacional; (b) analisar o modelo oficial para a Educação Física no Ensino Superior; (c) analisar o projeto da Universidade Federal Fluminense (UFF) para o setor; (d) identificar indicadores de resistência e de acomodação.Os trabalhos de Henry A. Giroux (1986; 1988) serviram de referencial teórico. Usou-se entrevistas semi-estruturadas (LANDSHEERE, 1976), com ex-Reitores, e análise documentária (RUMMEL, 1972), de projetos e documentos oficiais. O modelo oficial vinculava-se à expressão psicosocial do poder nacional, constante da Doutrina de Segurança Nacional e desenvolvimento; objeti-vava a desmobilização estudantil; integrava a estratégia de privatização do ensino superior; buscava formar elites desportivas como meio de melhorar as performances de indivíduos e equipes representativas nacionais, servindo de propaganda política do regime e ajudando a desviar as atenções da comunidade internacional dos graves problemas de violações dos direitos humanos que aqui estavam sendo perpetuados; preconiza a melhoria da aptidão física de modo a melhor servir ao modelo capitalista e às necessidades e objetivos estabelecidos pela Doutrina. As evidências apresentadas permitiram concluir que o modelo adotado pela UFF construiu-se no contexto da resistência, baseado na intencionalidade e numa perspectiva de emancipação.

A não criação de mais uma escola de Educação Física, bem como de Clubes Universitários pagos; a não filiação à FEURJ; o atendimento voltado para a comunidade; a estimulação à prática voluntária; o desenvolvimento de pesquisas na área do ensino; a implantação de estratégia voltada para a melhoria da titulação do corpo docente, de forma a valorizar o profissional da Educação Física, caracteriza o modelo de Educação Física da UFF, na época, como resistência. O estudo apresenta ainda evidências de represálias sofridas pela UFF por não ter adotado o modelo oficial. Muitos pontos discutidos no estudo podem servir para a busca de caminhos para enfrentar, no 3o. Grau os desafios do ensino da Educação Física nos anos 90.

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