Resposta Ergogênica da Melatonina no Nadir e Acrofase da Atividade Espontânea e Suas Consequências na Atividade da Via Ikk/nf-kb e Dano Tecidual Muscular

Por: Wladimir Rafael Beck.

2015 20/02/2015

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Resumo

Sintetizada principalmente na glândula pineal de mamíferos, a melatonina é uma indoleamina responsável classicamente por sincronizar o ritmo circadiano prioritariamente por meio do ciclo geofísico terrestre de luminosidade. A identificação de diversas outras propriedades a tornou alvo recente de estudos que buscam conhecer seus efeitos sobre o exercício físico. Otimizar o uso de substratos energéticos durante o esforço, inibir inflamação e lesões teciduais exacerbadas são propriedades documentadas na literatura e consideradas como potencialmente ergogênicas, fato que compreende um capítulo controverso da atual literatura científica esportiva. Diante disso, o objetivo da tese foi determinar a capacidade ergogênica da melatonina em exercício exaustivo sob intensidade de máxima capacidade aeróbia (tlim) iniciados no nadir e acrofase da atividade espontânea (AE), identificando os efeitos dessas condições sobre a atividade da via inflamatória IKK/NF-'capa'B em músculo esquelético oxidativo, marcadores metabólicos, hematológicos e de lesão tecidual de ratos nadadores. Para isso, dois procedimentos foram originalmente padronizados: i) construção de aparato e confecção de rotina de cálculos para a determinação do ritmo circadiano da AE e ii) teste incremental (TI) para estimativa da intensidade de máxima capacidade aeróbia de ratos nadadores. Os animais foram mantidos sob condições ambientais adequadas e sob ciclo claro/escuro de 12 horas iniciando às 06:00h com luz clara (560nm; 60lux). A determinação da AE ao longo do dia foi utilizada para definição dos horários em que seriam iniciados todos os procedimentos, sendo nadir e acrofase desta variável correspondentes a 12:00 (ZT 6) e 20:00h (ZT 14), respectivamente. Ratos machos albinos da linhagem Wistar foram distribuídos aleatoriamente em grupos para aplicação do TI iniciando nestes momentos do dia, aos 90 dias de idade. Para os testes conduzidos no período noturno foi empregada luminosidade especial afim de minimizar a influência da luz na secreção fisiológica da melatonina (>600nm; <15lux). Aos 92 dias de idade os roedores receberam, via intraperitoneal, solução contendo 10 mg.kg-1 de melatonina ou solução transporte de igual volume. Após 30 minutos, os animais foram submetidos ao tlim e uma hora após o término deste esforço foram eutanasiados para coleta de amostras biológicas. Técnicas laboratoriais de Western Blotting e ELISA foram utilizadas, além de kits comerciais e técnicas bioquímicas. Melatonina aumentou significativamente a tolerância ao exercício proposto, contudo, comparações de post hoc apontaram diferença significativa apenas entre os animais cuja avaliação iniciou na acrofase, quando a melatonina endógena geralmente encontra-se elevada em ratos com hábitos noturnos. Maior inflamação e lesão tecidual foram encontradas principalmente nos animais que realizaram tlim e receberam melatonina no período de vigília. Assim, concluímos que o massivo efeito ergogênico da melatonina, que promoveu maiores períodos de contração muscular continuada, sobrepôs sua capacidade de proteção ao dano tecidual e ação anti-inflamatória. O exercício proposto na presente tese se assemelha a esportes cíclicos de longa duração (como maratonas). Entretanto, inferências diretas entre modelos devem ser cautelosas uma vez que o ser humano apresenta vigília diurna combinada a reduzidas concentrações de melatonina neste momento do dia, logo, a interpretação da ação da melatonina pode ser diferente entre espécies.

Endereço: http://www.bibliotecadigital.unicamp.br/document/?code=000945476&opt=1

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