Saúde Auditiva em Frequentadores de Ginásio de Esportes: Mensuração do Nível de Pressão Sonora e Avaliação Audiológica

Por: Mariza Ribeiro Feniman e Nelfa Souza Ferreira.

2014 11/10/2014

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Resumo

O ruído faz-se cada vez mais onipresente no cotidiano de toda sociedade e a exposição continuada a elevados Níveis de Pressão Sonora (NPS), dentre outros danos, pode originar uma Perda Auditiva Induzida por Níveis de Pressão Sonora Elevados (PAINPSE): lesão auditiva irreversível, que interfere na qualidade de vida do sujeito acometido, podendo ser ocasionada tanto pela exposição ocupacional, quanto pela não ocupacional. E, o ginásio de esportes figura como um ambiente propício à exposição de tal natureza, onde coexistem esses dois tipos. A proposição deste estudo foi investigar a exposição sonora e a saúde auditiva de esportistas e não esportistas que frequentam ginásios de esportes. Participaram deste, 25 indivíduos frequentadores de um ginásio de esportes, divididos em três grupos: nove jogadores (G I), oito integrantes do público (G II) e oito funcionários do local (G III). Todos foram submetidos ao questionário específico e às avaliações auditivas (Imitanciometria, Audiometria Tonal Liminar AT-AC e de Altas Frequências AT-AF) e, além disso, foram obtidas em dois momentos (jogo oficial e jogo treino), mensurações de intensidade sonora no ginásio. Como resultados, tais mensurações no jogo oficial variaram de 73,3 e 112 dBNPS(A) e no jogo treino, de entre 70,8 e 100,1 dBNPS(A). Ao questionário específico, os sintomas auditivos mais referidos foram otalgia (55,6% do GI), zumbido (37,5% do GII) e hiperacusia (37,5% do GIII); para os não auditivos, obtiveram maiores prevalências cefaleia (44,4% GI), e alteração do sono (50% do GII e 37,5% do GIII); após exposição a elevados NPS, o sintoma auditivo mais referido foi hiperacusia (25% do GII e do GIII); para os não auditivos, obtiveram maiores prevalências alteração do sono (66,7% do GI) e cefaleia (50% do GII). Nas avaliações auditivas, a imitanciometria indicou a curva timpanométrica do Tipo A como mais recorrente (100% OD e OE no GI; 62,5% OD e 87,5% OE no GII; 75% OD e 87,5% OE no GIII) e o GI foi o único que obteve 100% de presença de reflexos ipsilaterais (bilateralmente) e contralaterais com aferência em OD; a AT-AC apontou a frequência de 6 kHz como a mais acometida, bilateralmente. Na comparação entre médias tritonais (0,5, 1 e 2 kHz com 3, 4 e 6 kHz), houve diferença estatisticamente significante apenas no GIII, em OE; a AT-AF apontou as frequências de 12,5 kHz na OD e 14 kHz na OE como as mais acometidas. Na comparação entre as médias dos limiares entre os três grupos, houve diferença estatisticamente significante apenas para as frequências de 11,2 e 12,5 kHz. Evidenciou-se que na mensuração do NPS, para todos os pontos e em ambos momentos, foram obtidos valores que ultrapassaram os estabelecidos em pelo menos uma das normas utilizadas neste estudo. Para G II e G III, verifica-se ainda o indício de comprometimento de células ciliadas externas, retratado pela normalidade das médias dos limiares tonais convencionais, acompanhada de ausência de respostas na AT-AF. Nesse sentido, destaca-se como relevante a adoção de medidas que viabilizem a conservação da saúde auditiva dos frequentadores do ambiente esportivo ginásio de esportes.

Endereço: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/25/25143/tde-02062015-144809/pt-br.php

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